A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXX)

Um incidente
Pouco depois dessa visita ao Ministro Gama e Silva, um incidente ocorreu que acabou influindo na má vontade posterior do Ministro da Justiça. Foi quando da reunião da Comissão Executiva da ARENA, em São Paulo, para a escolha do Presidente da secção paulista do partido. Ser presidente da ARENA significava, na época, estar com o controle das decisões políticas, incluindo a escolha do Governador a ser indicado. Os grupos de Laudo Natel e de Abreu Sodré enfrentavam-se, uma eleição difícil vencida pelos “laudistas” que indicaram o deputado federal Rafael Baldacci para a presidência do partido.

Naquela noite, Salgot Castillon encontrava-se no Palácio dos Bandeirantes, em visita ocasional. Estavam presentes o Governador Abreu Sodre, o Senador Carvalho Pinto, o ex governador Lucas Garcez, Paulo Salim Maluf, entre outros, todos aguardando o resultado da eleição daquela Comissão Executiva. Diante da informação sobre os resultados, irritaram-se, aborreceram-se e já estavam quase se conformando quando o Prefeito Salgot Castillon levantou urna questão: “E o voto do líder do partido na Assembléia Legislativa? Mesmo estando em recesso, a lei determina que haja esse voto.” Tratava-se, na realidade de contestar a lisura e legalidade daquela votação. E o detalhe constrangedor: quem presidira a votação fora exatamente o Ministro da Justiça, Gama e Silva. Alegar irregularidade seria alegar uma falha de direito do próprio Ministro da Justiça. E foi o que aconteceu: o Senador Carvalho Pinto determinou, baseado na questão levantada por Salgot Castillon, que se intentasse uma ação contra a decisão da ARENA. Pouco tempo depois, era indicado para presidir o partido o ex-governador Lucas Nogueira Garcez, invalidando-se a eleição presidida pelo Ministro Gama e Silva.

Esse incidente foi lembrado, em 1970, quando o Coronel Rubens Resstel – um militar cordial e afável, que iria substituir o Coronel Cerqueira Lima no comando do 5º G-CAN de Campinas – comentou com Salgot Castillon: “Na região de Campinas, quando de cassações de direitos e mandatos políticos, a decisão do Ministro Gama e Silva era decisiva …”

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