A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXXIII)

Cássio, fim de um tempo
No dia 20 de Outubro de 1969, Cássio Paschoal Padovani tomou posse na Prefeitura, Piracicaba vendo, mais uma vez, um vice-prefeito assumindo o lugar do titular. Cássio Padovani tinha uma vantagem que levaria para a administração: o apoio das lideranças empresariais piracicabanas, que ele cultivara ao longo da vida, quer como comerciante, como contabilista ou como advogado, lendo passado pela presidência da Associação Comercial e da Companhia Telefônica Piracicaba. Tratava-se de um exemplo significativo de “self made man” De família humilde, pobre, tendo sido padeiro na Juventude, Cássio Paschoal Padovani tinha se revelado um homem de determinação e de rigidez de caráter Além do mais, Cássio sempre tivera atividades políticas, sendo um dos ‘trabalhistas” tradicionais de Piracicaba, fervoroso adepto de Getúlio Vargas. Tinha, pois, as vantagens das relações e do trânsito fáceis junto às lideranças empresariais.

No entanto, havia uma séria dificuldade: seu próprio temperamento, pois Cássio Paschoal Padovani era de trato difícil, radical, exigente, sem vocação para os entendimentos que, em política, são necessários. O “calabrês” – como era carinhosamente chamado pelos amigos – era daqueles homens para quem a lealdade entre amigos era ponto de honra. Poder-se-ia dizer que para Cássio Padovani, “os amigos não tinham defeitos”. E, como consequência, os inimigos tinham que ter todos eles… Essa sua maneira de relacionar-se com as pessoas, especialmente com os políticos, haveria de criar-lhe muitas dificuldades.

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