A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXXIV)

Em 1970, o Brasil entrava em ritmo de euforia. No governo federal, Delfim Neto e João Paulo dos Reis Veloso anunciavam medidas que seriam chamadas de “milagre brasileiro”. A censura aos meios de comunicação era implacável, mas a vitória da Seleção Brasileira no México, conquistando o Tricampeonato Mundial de Futebol com uma exibição de Pelé, Tostão, Rivelino, que assombrou o mundo – permitia que o Presidente Médici se tornasse popular e querido pela população, que desconhecia o que ocorria nos porões do governo. Dava-se início à construção da Transamazônica, uma estrada que iria atravessar 3 mil quilômetros na floresta desconhecida. O I Plano Nacional de Desenvolvimento (I PND) caminhava para levar o Brasil às taxas de crescimento mais elevadas do mundo, buscando-se um crescimento de até 100% nas metas previstas para a siderurgia, metalurgia, mineração e habitação. Por outro lado, impunha-se o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”, um pretexto para enfrentar as guerrilhas urbanas que, na realidade, seriam anuladas, com violência e sem piedade.

A guerrilha, em 1970, sequestraria, trocando-os por prisioneiros políticos, o cônsul do Japão, Nobuo Okushi, em São Paulo, o embaixador Von Holleben, da Alemanha Ocidental, e o embaixador suiço, Giovanni Bucher. Da Inglaterra, vinha uma notícia triste: os “Beatles”, após grandes crises provocadas pelo namoro de John Lennon com Yoko Ono, separavam-se. E, nos Estados Unidos, dois acontecimentos funestos diminuiriam a alegria do mundo: em Setembro, morria o guitarrista Jimi Hendrix e, em Outubro, a cantora Janis Joplin, ambos por doses excessivas de drogas. Em Piracicaba, outro abalo: em Fevereiro, morria Mário Dedini, o maior líder das indústrias piracicabanas, um dos responsáveis pela implantação da moderna indústria açucareira no país. Grandes transformações passariam a acontecer no Grupo Dedini, com o controle acionário das empresas passando às mãos de Dovílio Ometto, que era genro de Mário Dedini. As esquerdas piracicabanas exultavam com a vitória do socialista Salvador Allende, eleito presidente do Chile, um país onde se refugiavam intelectuais e professores perseguidos pela ditadura militar. Criava-se a Escola de Enfermagem, iniciativa piracicabana pioneira. No entanto, poucos percebiam que John Lenon estava com a razão quando falou, cético: “O sonho acabou”.

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