A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXXV)

Em Piracicaba, a primeira grande reação contra Cássio Paschoal Padovani foi logo ao primeiro dia de sua administração quando ele convidou, para assessorá-lo na Secretaria da Administração, o amigo Lázaro Capellari, que já havia sido Prefeito de São Pedro, com administrações de sucesso e de êxitos. O estilo de Lázaro Capellari assemelhava-se ao de Cássio Paschoal Padovani: decidido, radical, sem meias palavras, tendo-se tomado famosas as cartas por assim dizer desaforadas que ele, quando prefeito em São Pedro, havia endereçado aos governadores Adhemar de Barros, Laudo Natel e Abreu Sodré. A convocação de Lazinho Capellari não repercutiu favoravelmente para Cássio Padovani, pois a escolha era tida como um desprestígio para os piracicabanos.

Na Câmara Municipal, principalmente – onde os “guidotistas” estavam sendo liderados pelo vereador Francisco Antonio Coelho – as críticas passaram a ser sistemáticas. Na administração, Cássio Padovani mantivera Lázaro Pinto Sampaio no comando das finanças e o projeto inicial foi o de dar prosseguimento às obras iniciadas por Salgot Castillon. Nas Obras Rurais, estava Francisco José Cesta Neto, um “expert” no setor; na Educação, surpreendendo a todos e sendo motivo de críticas, o já citado Pedro Pereira dos Santos; nas Obras e Serviços Urbanos, o jovem arquiteto Cyro Octávio Gatti Ferraz de Toledo.

No início de Novembro, o Prefeito Cássio Padovani tomava ainda mais difícil as suas relações políticas em virtude de sua primeira entrevista coletiva à imprensa e rádio. Apresentando os seus secretários, Cássio Padovani atirava farpas em direção às administrações anteriores, em críticas abertas aos seus antecessores, Luciano Guidotti, Nélio Ferraz de Arruda e Salgot Castillon. Na entrevista, Cássio Padovani mostrava preocupações com as finanças do município, especialmente quanto ao pagamento de indenizações por desapropriações, débitos para com a Previdência, deixando claro que não daria continuidade ao Hotel Municipal – que se transformaria no Hotel Beira-Rio iniciado por Luciano Guidotti. Acenou, desde o início, com a transferência das Faculdades de Engenharia e da projetada Faculdade de Enfermagem para outras instituições, como a E.S.A. “Luiz de Queiroz”. Assim, numa só manifestação, Cássio Padovani abria atritos com os “guidotistas”, com uma ala do “ademarismo”, com o MDB, com os “salgosistas”. Deixava claro o seu estilo de administrar, duro e objetivo. E dava um recado: Lazinho Capellari era o seu assistente imediato.

O projeto administrativo de Cássio Paschoal Padovani foi o de “administrar de fora para dentro”, ou seja, da zona rural para a periferia da cidade, desta para o centro. Muitas obras já haviam sido projetadas por Salgot Castillon ou já estavam em andamento. A equipe administrativa, no entanto, não estava afinada. A força que Cássio Padovani dera a seu Secretário de Administração, Lázaro Capellari, criava ciúmes e disputas internas. Havia, ainda, outros motivos: os coordenadores Lázaro Pinto Sampaio e Cyro Gatti eram pessoas sensíveis ao “guidotismo”, de maneira que, politicamente, Cássio Padovani se via envolvido em conflitos e intrigas. A situação iria piorar ainda mais quando Cássio fez mudanças no Secretariado: Lázaro Capellari deixava a secretaria de Administração e assumia a de Obras e Serviços Urbanos, no lugar de Cyro Gatti Ferraz de Toledo. E, logo em seguida, o mesmo Lázaro iria responder também pelo SEMAE. Na Câmara Municipal, o líder da bancada da ARENA, vereador Gustavo Jacques Dias Alvim, tinha que usar de toda a sua habilidade para conseguir maioria em apoio ao Prefeito.

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