A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXXVII)

Reação a Capellari
Alguns meses após sua posse, Cássio Padovani promoveu mudanças em seu Secretariado: Júlio Seabra Inglês de Souza assumia a Secretaria da Educação; Evandro Martins era chamado para a Secretaria da Administração e Lázaro Capellari ocupava a de Obras e Serviços Urbanos. A reação foi imediata: a Associação dos Engenheiros passou a fazer pesadas e sérias criticas, alegando que Cássio Padovani entregara o cargo a um homem que não tinha diploma para ocupar o posto. No entanto, Lazinho Capellari encontrara solução a um problema que nenhum técnico ou engenheiro ousara dar anteriormente: derrubara os destroços do COMURBA, um fantasma que continuava pairando sobre Piracicaba. Dispensara pareceres do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (lPT) e mesmo o auxílio do governo estadual, organizando a derrubada do edifício com funcionários e recursos municipais.

No SEMAE, estava Aristides de Castro Gonçalves, também um “guidotista” que assumira o posto de Paulo Geraldo Serra. Tratava-se, antes de mais nada, de um burocrata, homem afeito a papéis e o SEMAE fazia por exigir ação e dinamismo. Novamente, Cássio Paschoal Padovani não teve dúvidas e não se importou com as reações em contrário: designou Lázaro Capellari para acumular o cargo. A sua visão era a de que o SEMAE e a Secretaria de Obras e Serviços Urbanos deveriam caminh,!r e planejar em conjunto. A crise aumentou, com as críticas e oposições avolumando-se ainda mais. O fato, porém, é que foi aí que a administração de Cássio Padovani passou a deslanchar, com a realização de obras que complementavam as de Salgot Castillon e de outras que se iniciavam.

Ambos com o mesmo estilo, Cássio Padovani e Lázaro Capellari falavam a mesma linguagem. E não poupavam críticas a seus antecessores. Foi Lázaro Capellari, por exemplo, quem começou a desmistificar o asfaltamento da cidade feito por Luciano Guidotti. Engenheiros já haviam criticado algumas das avenidas, pela qualidade do asfalto e falta de conhecimentos técnicos. Lázaro Capellari, ao promover recapeamentos e dar início a outras obras, falava claramente: “Tenho que consertar porque o asfalto foi feito sobre piçarra.” Assim, o “guidotismo” irritava-se ainda mais. E, por outro lado, havia a reação de Nélio Ferraz de Arruda que, inconformado com as criticas que lhe eram feitas, reagiu, intentando uma ação contra Cássio Paschoal Padovani e aumentando a temperatura da permanente crise política que foi aquele período.

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