A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXXVIII)

1970: eleições e vazio
Em 1970, sob o império do AI-5, realizaram-se as eleições para a Assembléia Legislativa e o Congresso Nacional. Em Piracicaba, criava-se o vazio político com a ausência de duas de suas maiores lideranças políticas, Luciano Guidotti e Salgot Castillon. A ARENA era o partido mais poderoso, muito embora as suas divergências e conflitos internos. O MDB, com a proteção de João Guidotti, tinha toda a influência de Francisco Antonio Coelho e a cobertura, em São Paulo, de João Pacheco e Chaves. Domingos José Aldrovandi, presidindo a ARENA, tentava, sem conseguí-Io, recolher a herança eleitoral de Salgot Castillon, sendo candidato, novamente, a deputado estadual. Pelo MDB, retomava João Pacheco e Chaves, para a Câmara dos Deputados, e Francisco Antonio Coelho para deputado estadual, em meio a crises de denúncias e de ataques em nível político. Coelho, para candidatar-se, precisou de um “habeas corpus”, em virtude de processo judicial que lhe movera a presidência da Câmara Municipal, através de Romeu 1talo Rípoli.

A ARENA obteve maioria absoluta da votação do eleitorado piracicabano, enquanto o MDB, onde se recolhera o “guidotismo”, obtinha, ainda, parca votação, o suficiente, porém, para que Francisco Antonio Coelho se elegesse deputado estadual. Quanto a João Pacheco e Chaves, a sua eleição ocorrera em virtude da grande votação que obtivera em mais de uma centena de cidades do Estado, sendo atrapalhado, em Piracicaba, por um jovem e recém-formado engenheiro agrônomo, João Herrmann Neto, que obtivera vaga na legenda emedebista e se lançara candidato a deputado federal em faixa própria, obtendo pouquíssima votação.

Tudo indicava, em 1970, que a ARENA continuava sendo o partido da preferência do eleitorado, embora Domingos José Aldrovandi não tivesse obtido votação suficiente para seu retomo à Assembléia Legislativa. Era o fim de Aldrovandi como deputado e, também, como liderança política. Com a cassação dos direitos políticos de Salgot Castillon, a ARENA perdia a sua liderança natural, Piracicaba assistia a um vazio de lideranças, a um vácuo político que nem Aldrovandi e nem Cássio Padovani conseguiam preencher. As atenções populares começavam a voltar-se para outras figuras, e, entre elas, destacava-se a do vereador Guerino Trevizan eleito com grande apoio da população de Vila Rezende. E, por causa desse vazio político e também em virtude de circunstâncias especiais, a onda popular aconteceu de voltar-se para o meu lado …

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