O previsível da Febem.

Chega a ser assustador o silêncio de Piracicaba diante de problemas que se nos vão agravando no município. Há autoridades eleitas, mas a terra parece de ninguém. E isso vem já há bom tempo, como se uma que outra liderança tivesse conseguido anestesiar a opinião pública, até mesmo por certas cumplicidades promíscuas. Seja qual for a instituição, ela perderá sua legitimidade de atrelar-se ao Poder Público, de uma ou de outra forma. A intimidade entre o público e privado quase sempre é incestuosa.

Na instalação da Febem – e não adianta lhe dar outro nome, pintar fachadas que o sistema prisional continua falido – foram poucas, pouquíssimas as vozes com poder decisório que se levantaram. O silêncio de quem podia ter protestado foi um dos graves crimes cometidos contra Piracicaba, pois a vinda da Febem – e qualquer tolo sabia disso – implicaria problemas maiores. E aceitou-se passiva e covardemente que ela se instalasse exatamente ao lado do Cadeião, outro presente de grego que políticos deram aos piracicabanos. Os sinais, sendo claros, eram de uma ironia cruel: da Febem ao Cadeião, os adolescentes estão a um passo. E, por trás dos muros, o crime organizado à espera de se inflitrar, de enviar recados, de manobrar.

Agora, faz-se algum ruído com a mudança de comando na Febem, de pessoa que não estaria vocacionada para o cargo. Mas quem está vocacionado para ser guardião de presídio senão o próprio carcereiro? Sistemas prisionais não recuperam ninguém e se exceções há são, simplesmente, para confirmar a regra. Febem e congêneres, seja lá que nomes tenham, são um comodismo da sociedade no sentido de transferir o problema social para o Estado, uma calamidade porque entregue à classe política, hoje praticamente falida. Ninguém questionou, por exemplo, esteja a administração da Febem local entregue a entidade que, para sua própria preservação, deveria estar distante de contaminações. Mas não: acertaram-se nos bastidores e acertado ficou.

O doloroso é que, nessa hora de conflito na Febem, os que a trouxeram a Piracicaba fazem de conta que de nada sabem. Mas devia ser o inverso: quem pariu Mateus que o embale. A Febem é obra de Barjas Negri, de Thame e Roberto Moraes, políticos que foram dóceis ao governo paulista do PSDB. Eles devem ser chamados para cuidar da Febem. Por que não?

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