Semdes realiza I Fórum Municipal de pessoas em situação de rua

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) realizou o 1º Fórum Municipal de Pessoas em Situação de Rua de Piracicaba, na sexta-feira (21), no anfiteatro da Câmara Municipal de Vereadores. O encontro teve como objetivo discutir as propostas para auxiliar as pessoas que, por terem vínculos familiares rompidos ou devido a problemas com as drogas, vivem atualmente nas ruas.

Na abertura do evento o prefeito Gabriel Ferrato, comentou sobre a iniciativa que a Semdes teve em realizar esse I Fórum e falar sobre um assunto tão importante e polêmico. “Precisamos mostrar para Piracicaba e região os projetos que já são realizados pela Secretaria e ouvir opiniões para melhorar cada vez mais o atendimento para essa população”.

A secretária de Desenvolvimento Social, Eliete Nunes, acredita que os debates e a apresentação dos serviços municipais específicos para os moradores de rua podem auxiliar no conhecimento do que a cidade oferece. “O problema é social, passa inicialmente pela família e requer a atenção de todos!”, afirma Eliete.

O Fórum contou com a participação do palestrante Luciano Freitas de Oliveira, que é mestre em gestão de serviços para moradores de rua de São Carlos, e realizou duas palestras. A primeira com o tema “ De Mendigo à Pessoa em Situação de Rua: A construção de um sujeito de direitos” onde o palestrante discursou sobre o processo de reconhecimento das pessoas em situação de rua enquanto sujeitos de direito no Estado Brasileiro. A segunda palestra “A Rua Como espaço de Moradia – Um Lugar Onde Tudo Acontece”, Luciano falou sobre suas pesquisas e como é um pouco do dia a dia dessas pessoas nas ruas”.

Em dezembro de 2013 a Semdes realizou um mapeamento com cerca de 90 pessoas em situação de rua, nas praças, ruas centrais, mercado municipal, terminal rodoviário, pontes, viadutos e Rua do Porto com objetivo de definir os gêneros, raça, escolaridade, município de origem, tempo de moradia nas ruas, quais deles possuem documentação, benefícios sociais, se eles exercem alguma atividade remunerada e os principais motivos que os fizeram sair de suas residências e morar na rua.

Em Piracicaba o Núcleo de Apoio Social “ Novos Caminhos”, a Casa de Passagem, o Albergue Noturno e o Centro de Referência Especializado – Centro POP fazem parte da proposta de oferecer atendimento especializado para famílias e indivíduos que utilizem as ruas como espaço de moradia e sobrevivência. Esses locais atendem pessoas em situação de rua maiores de 18 anos, de ambos os sexos, que buscam o Centro de Referência espontaneamente ou encaminhadas pela equipe de abordagem social e/ou pela rede de atendimento.

Nesse locais são oferecidos serviços como acolhimentos, higiene pessoal, alimentação, escuta qualificada, atendimento psicossocial, encaminhamento para inclusão no Cadastro Único. Além disso é realizado um plano individual de atendimento, estabelecendo estratégias que o auxiliem a superar a situação de rua, respeitando suas escolhas e especifidades do atendimento.

1 comentário

  1. Antonio Carlos Danelon em 22/03/2014 às 15:58

    Estive no evento e gostei apesar de algumas falhas. As palestras foram muito boas e ricas em informação. Os depoimentos dos usuários também; poderiam ser melhor aproveitados se a coordenação tivesse mais conhecimento do problema. Das PM e Guarda Civil, que vivem abordando essa gente não havia ninguém; nem da EMDHAP, que nunca está em debate algum, apesar da importância da moradia na vida das pessoas. Não havia também ninguém do Turismo, que quer faxinar a cidade, da Saúde Mental e nem do comerciantes, que vivem enxotando essa gente. Isso faz ver que o problema está somente nas costas da SEMDES. Compete ao prefeito criar um órgão que congregue todo esse pessoal, mais as ONGs e representantes dos moradores de rua para discussão do problema e atuação integrada bem coordenada. Senão estão perdendo tempo. Na minha opinião, cada um faz da vida o que quer. Porém, viver na cidade exige regras e limites. Se para todos os cidadãos as regras existem e ninguém pode fazer o que dá na telha, para os que optaram pelas ruas também. Não é certo ver essa gente jogando no lixo a própria dignidade e ainda ajudá-las a se afundarem cada vez mais. No final o debate ficou aquém do desejado levando em conta o público presente composto por técnicos e pessoas envolvidas na questão. Não se amarrou proposta alguma, além de sugestões. Contudo, valeu a iniciativa, que não deve parar por aí.

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