Além do horizonte

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Tida e havida como final de linha nos anos 60, 70 e até 80, nossa city carregou essa pecha apesar das parcas contestações. De minha parte, e salvo o amor de origem que nutro por “Pira”, de há muito, fomos pioneiros precursores em vários quesitos de relevada importância no contexto nacional e mundial. E pra quem não sabe, somos a primeira cidade do estado e segunda do país em ter um serviço de água (23 de maio de 1886) – implantando três anos mais tarde as redes de distribuição. Sete anos depois, em 1893, implantou-se a iluminação pública, cujo pioneirismo mundial, aconteceu onze anos antes em Nova Iorque (1882). Para se ter uma ideia, São Paulo, a capital, só Inaugurou esse serviço em 1899, ou seja, seis anos depois de nós… em 1877 chegou a ferrovia Ytuana e em novembro de 1988 a telefonia. E por aí vai. Daí, com os fatos recentes da baixa vazão dos rios, invariável vir à tona discussões de pertinências hídricas das mais variadas e absurdas possíveis, buscando em alguns casos respostas para além do horizonte. A direção da autarquia pensa nos corpos d´água como opções plausíveis, entretanto, pelo pioneirismo e pela história da água construída em nossa cidade, resta clara a incompetência da autarquia em tratar de maneira justa uma questão em especial: a de perdas físicas e aparentes, tida (pasmem) em 47% do volume diário produzido. Ou seja, metade do que se trata, se perde! Para entender melhor o que isso significa, com esse volume de perdas (940 litros por segundo), seria possível abastecer uma cidade do porte de Rio Claro, de Araraquara, de Barretos, ou Americana entre outras. Portanto, quando vejo a autarquia pedindo para o contribuinte economizar, acho engraçado e minimamente grotesco, já que o exemplo deveria vir de cima. Não vamos aqui, nem entrar no mérito das diferentes idades e dos diferentes tipos de materiais da rede, afinal, resta clara a inexistência de uma política séria e objetiva sobre o gerenciamento de perdas. Nesse ponto da até pra dizer: o que é metade para quem não tem nada? Literalmente, dinheiro jogado por terra… caso típico de improbidade administrativa e ambiental, para não dizer: de incompetência!

1 comentário

  1. Meire S. Yui em 21/02/2014 às 22:09

    Achei ótima a exposição dos fatos idos, e também gosto muito seus artigos. Como Piracicabana, muito me agrada saber da história desta cidade. Apenas gostaria de saber se a data …”e em novembro de 1988 a telefonia”, está correta.
    Grata
    Meire

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