Meu reino por um travesseiro

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images (15)Bom dia. “Ó, céus! Ó, vida!”. Assim lamuriava a hiena nos desenhos da Hanna-Barbera. Cá estou, novamente, a lutar com os travesseiros a noite toda. Pode rir, mas é a pura verdade.

Eu até havia “acertado” um bendito, de uma marca conhecida, aquele “da Nasa”. Lembro do meu primeiro contato com essa espuma que afunda e volta ao normal. Estava à procura de um bom e macio travesseiro e o vendedor mostrou vários modelos até chegar “ao da Nasa”. O artefato era feito com a mais moderna tecnologia espacial e educadamente recusei. Muito obrigada, moço, mas prefiro um daqui da Terra mesmo…

Andei experimentando marcas e diferentes modelos recomendados, até provar um destes de espuma com tecnologia do espaço. Quem sabe a gente sonha que está nas nuvens, num céu cheio de estrelas? Vá lá. Comprei um. Eureka! Descobri a roda, a pólvora e inventei a lâmpada, que maravilha!

Adorei o travesseiro, acabaram-se as dores no pescoço quando acordava. Fiquei dois anos e meio com o meu amado. Mal podia acreditar. Então, alguém teve a infeliz ideia de me alertar que é preciso trocar todo ano. Sim, o tempo de uso, os ácaros, etc. Bem, lá fui eu, pressurosa, à cata de um novo.

Rodei a cidade. Cadê o modelo que eu tinha? Nada. Ah, que angústia mortal. Moça, mas como assim, acabou? Eu comprei aqui mesmo, há uns dois anos. Moça, pelo amor de Deus (implorava de joelhos), procure melhor aí, deve ter! Não tinha. Consolei-me adquirindo um modelo sugerido por ela, o preferido de nove entre dez lutadores com  travesseiros durante a noite.

Claro que não era igual ao meu antigo. Jamais seria. Eu queria matar a moça que me vendera aquela ilusão fatal. Mas ela não tinha culpa de nada. E as dores no pescoço voltaram.

Minha filha mais nova, vendo meu desespero, deu-me de presente um “da Nasa” que ela descartara, novinho. Esse é bom, mãe, você vai gostar. É bom, mas é alto demais para mim. O difícil é achar o meio terno, nem muito alto, nem muito baixo. Ó, céus! Ó, vida!

Sofri a trigésima tentação e comprei um que “levita”. Muita gente comprou e gostou. Foi-me recomendado também por uma leitora querida. Contudo, o que é bom para alguém nem sempre é bom para nós. Noite destas, lutando com o que “levita” (ahahahahah!), abri o armário e pensei: deixa ver se tem algo aqui. E achei dois bonzinhos, acho que paguei 20 reais por eles, destes que a gente guarda para quando precisa compor uma cama, com porta-travesseiros. Peguei um, fininho, simplesinho, ninguém dá nada por ele.

Pois dormi a noite inteira, com menos dores no pescoço ao acordar. Vá entender. Uma porcariazinha barata, que nenhum ortopedista recomendaria. Bem dizia minha santa mãe: nem sempre o mais caro é o melhor.

E tome tecnologia: o que nos faz “levitar”, o de espuma da Nasa, o com bolinhas, o que tem degraus, o magnético, o modelo inglês… Não, pra mim chega!

E depois do bom dia, desejo uma boa noite de sono, caríssimo leitor!

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