Para onde vamos?

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unnamedQuero entender melhor o mundo. Preciso que alguém me explique o que está acontecendo. Uma pessoa querida me lembrou a frase “para o mundo que eu quero descer”. (O correto seria o acento no verbo “pára”; a reforma ortográfica falhou em alguns casos).

Mas não há como apear desta nave. Uma vez a bordo, temos de seguir viagem, até que Deus nos chame de volta para a casa eterna. Estamos todos em órbita e o ano é o de 2016, recém-inaugurado, novinho em folha e paradoxalmente tão velho em sua complexidade.

Sim, é tudo muito complexo e luto para entender este mundo e suas disparidades, insanidades e afins. Nem tudo são loucuras, há maravilhas também. E por tênue que seja, mantenho viva a esperança, apego-me a ela como o último recurso de vida.

Ah, do que se morre hoje? Morre-se de “selfie”. Sim, a foto que a pessoa faz de si mesma com seu celular e depois publica nas redes sociais, em busca de algum mérito, reconhecimento, ou apenas para se exibir, mostrar quão alto subiu ou desceu e os riscos que correu para fazer a foto perfeita.

Ah, meu Deus! Morre-se de “selfie”. Vi na tevê o caso da moça que se curvou tanto para fazer a foto na janela do apartamento que quase despencou de lá. Ela relatou o fato, tremendo. A reportagem tratava das mortes de quem se fotografou pela última vez, a ousadia de pessoas ao fazer “selfies” espetaculares, no topo de edifícios, em locais perigosos, tentando o melhor ângulo para postar nas redes sociais.

Na China, uma mulher morreu porque estava distraída, andando e digitando no celular. Ela não viu o rio à sua direita, foi caminhando, caiu na água e morreu afogada. Leitor do céu, isso tudo é irracional! Ao ver o vídeo da mulher caindo no rio, penso se ela teria filhos, uma família. Se fora apenas passear perto de sua casa. Para onde estaria indo, para quem estaria digitando? Por isso quero entender estes fatos e demais tragédias que me tiram o sono.

A que ponto o mundo chegou, quando as autoridades, agentes da defesa civil e a polícia começam a alertar para o fato de as pessoas andarem sem olhar onde pisam. Muitos já caíram em bueiros e em buracos nas ruas, por caminhar digitando no celular.

Vivemos num mundo de admiráveis formas de comunicação e, no entanto, as pessoas nunca se sentiram tão deprimidas, tão solitárias e angustiadas. Faz falta abraçar e falar ao vivo? São as contradições destes tempos.

Consta que as nações ricas nunca produziram tanto, seja em alimentos, seja em bens de consumo e existem países pobres onde as crianças são abandonadas para morrerem sozinhas. Contrastes dolorosos de um mundo injusto, quase sempre apagado das nossas consciências pelo cultivo das seduções e da virtualidade fantasticamente irreal e ilusória.

Meu pai costumava dizer que “nem tudo que reluz é ouro”. Precisamos de uma vivência boa e sincera, pés no chão, lágrima e riso, força e luta, com o coração cheio de bondade e mãos estendidas. E no fim da estrada poder afirmar: combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.

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