Páscoa e demonização

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A demonização de pessoas, entidades, organizações, governos e grupos diversos não é fenômeno novo ou produto da sociedade atual. Ensaiada, planejada e a envolver atores variados com múltiplas motivações, acentua-se perigosa e paranoicamente neste início de século XXI através de espetacularizações diversas. Demoniza-se tudo aquilo que é contrário aos egoísticos interesses individuais e grupais usando as pessoas fanatizáveis que reagem facilmente ao comando impulsionado pelo ódio. Fábrica de fanáticos e sua produção em série que remonta desde os primórdios do homem no planeta. O “homem corrupto e mal”, definido em expressão de desabafo pelo Criador há mais de duzentos mil anos, nunca foi tão atual. A doutrinação do ódio, do fanatismo e da demonização sempre tem por trás seres humanos sedentos de poder: espiritual, econômico e político; todos temporais, para o desespero deles.

Demonizado pelos “senhores da lei”, Jesus “foi escolhido” por uma multidão estimulada e ensaiada para ser crucificado no lugar de Barrabás. Antes, passou por um monumental processo de difamação e calúnia que visava inflar o povo contra Ele; um ardiloso processo de desconstrução de sua imagem armado com falsidades e ilegalidades habilmente camufladas de legalidades. Entretanto, a História e a cristandade resgatam a verdade. É sempre assim: a História, um dia, coloca os “pingos nos is” nas versões honestas e não na difamação profissional e na calúnia. Sempre haverá uma Páscoa da verdade e da justiça.

Demonização em nossos dias

Nada muda na forma (modus operandi) de se demonizar. Hitler demonizou os judeus e o comunismo; os capitalistas passaram a demonizar os sindicatos e o socialismo; e o imbecilizado império do egoísmo demoniza tudo que não lhe convém.

Resultado de massiva repetição de que são encarnação do Mal na Terra, o povo muçulmano, de índole pacífica e religiosa, sofre discriminações no mundo todo por conta de minoria ultrarradical que não os representa mas que são confundidos com eles. Quem se encarrega de patrocinar essa confusão  são os engenhosos artifícios de marketing a utilizar técnicas psicológicas de convencimento de massas (lavagens cerebrais, que aperfeiçoadas pelo ministro da propaganda do nazismo, Joseph Goebbels, fizeram escola) levando a opinião pública mundial a enxergá-los como sinônimos de terrorismo e integrantes do  Estado Islâmico; igualmente, todos aqueles que acreditam e defendem que as leis têm que ser seguidas e observadas por todos – incluindo-se, ao que parece,  magistrados; principalmente os que se acham acima do Bem e do Mal e da Constituição Federal- geralmente são demonizados, ridicularizados e rotulados pelos que se acham acima dela, a lei; os black blocs – independentemente de vândalos infiltrados pelo “sistema”, ou não –  no mundo inteiro passam por processo de demonização ao serem rotulados de vândalos, quando na verdade são jovens da periferia inconformados com o sistema opressor que fecha as portas da oportunidade e que os reprime com violência por entenderem serem eles uma ameaça ao status quo. A mídia sempre os apresenta assim em suas tendenciosas reportagens. Talvez não fossem tão reprimidos se ao invés de roupas de cor preta trajassem tons de amarelo. Em nosso País, basta um olhar atento e isento de paixões ideológico-partidárias para notar alguma semelhança com conhecidos processos de demonização política na História Universal. No Brasil de hoje, um grupo político é injusta e perigosamente colocado como bode expiatório por todos os males  da Nação desde 1500, quando sequer havia o conceito de nacionalidade. E nem se fale na demonização dos refugiados da Europa e dos mexicanos que atravessam as fronteiras dos Estados Unidos.

Em meio a tudo isso, muitos cristãos aparentemente fervorosos dão aval a essas barbáries todas a achar que estão a contribuir por um quadro social e religioso livre de demônios; e ao mesmo tempo em que arvoram a fé cristã e oram a Deus quando de seus infortúnios. Há muitos sendo levados pela correnteza de um senso comum construído em bases falsas e com propósitos e objetivos bem definidos e obscuros (como sempre).

Sem o ódio – o câncer da alma – não seria possível colocar em prática tais atrocidades psicológicas contra o cidadão comum, falsa e pretensamente informado e civilizado. Uma covardia que obstrui a evolução do homem na Terra, mas que os evoluídos do futuro e a História condenarão com todas as letras.

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Nota de hoje: Repudio totalmente a atitude da Rede Globo que teve que fazer malabarismo durante o JN para justificar o porquê da não divulgação dos nomes dos 200 políticos da lista de beneficiados com dinheiro da Oderbrecht; e a atitude do juiz Sérgio Moro em manter sigilo da mesma. Seria por Lula e Dilma não estarem nela e muitos graúdos da oposição sim? Atitudes que empobrecem o processo civilizacional do povo brasileiro.

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