Esse Papa Francisco…

20140526061005053afpUm dos mais fascinantes e controversos estudos das ciências humanas diz respeito, creio eu, ao significado e à existência do espírito.  A imaterialidade, porém, é comum a todas as culturas e religiões. O “geist” alemão tem o mesmo significado do “ghost” inglês, dando a entender um “estar fora de si”, “por fora de si”. Não se trata, pois, de algo material, o que implica a existência do mistério. De uma outra forma, acontece – mas quase no mesmo sentido – com palavras equivalentes do latim, do grego, do hebraico, entendidas como “vento, sopro, respiração”. E, portanto, imateriais. Logo, também um mistério.

O entendimento torna-se ainda mais complicado quando, acima do espírito humano, coloca-se o Espírito de Deus. Para os cristãos – com uma que outra divergência – trata-se do Espírito Santo, junto ao Pai e ao Filho. Um Deus Trino. Revela-se como um sopro divino, transformador e inspirador. Pela fé cristã, o Espírito Santo é aquele que assiste, que intervém a favor do homem e do mundo, fonte de esperanças. E não se limita apenas ao cristianismo, mas a toda a humanidade. Compreender ou entender isso tudo se torna desafio à inteligência humana. Entende-se pela fé.

O surgimento inesperado do Papa Francisco – num momento de crise do cristianismo e de um estado caótico da própria humanidade – deveria fazer-nos pensar. De minha parte, pelo menos, penso e agradavelmente me assusto. Como pode – em meio a tanta confusão, a lideranças medíocres e materialistas – surgir um homem tão providencial? Esse “Papa do fim do mundo” – como ele próprio se definiu – está abalando os alicerces de um mundo, como se anunciando o seu final em prol da construção de um outro, aquele todo feito de fraternidade e de solidariedade, sonho ainda irrealizado das sociedades humanas. Sua chegada não provaria, realmente, ser sopro e obra do Espírito de Deus? Seria vivificante se o admitíssemos, mesmo não entendendo ou duvidando. Pelo menos ou até mesmo como um ardente desejo de esperança.

Em sua breve passagem pelo Oriente Médio – onde se concentram as três religiões abrâmicas, monoteístas: judaísmo, cristianismo, islamismo – Francisco não propôs ou apenas pediu a paz, como o fazem líderes mundiais laicos. Pois paz não significa tão somente a ausência de guerra. Francisco propôs mais: a paz como resultado da comunhão, do encontro, da fraternidade. E – bem ao seu estilo simples, sábio e santo – na forma mais singela e simples: a oração conjunta entre os representantes das três religiões.

Através da oração, Francisco acredita que todos irão dar-se às mãos. Francisco crê no Espírito Santo e, por isso, transmite a certeza de que tudo poderá mudar se houver “boa vontade entre os homens”. Afinal de contas, o Papa e os cristãos – pelo menos os da fé católica – fazem, cotidianamente, o pedido angustiado mas esperançoso: “Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da Terra.”

Haveria outra saída? Esse Papa Francisco traz as respostas dentro do coração. E desnorteia, positivamente, o mundo acostumado às incertezas materiais. Bom dia.

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