Madalena, para deputado estadual?

Madalena vereadora PiracicabaEnvaideço-me de ter estado entre os primeiros a elogiar e a compreender a eleição de Madalena para a Câmara de Vereadores. Não se tratava, não – como superficialmente muitos tentaram entender – apenas de votos de protestos. Estes também existiram. Mas a intuição coletiva é um mistério sobre o qual é preciso, permanentemente, refletir. É como se, realmente, existisse apenas uma alma coletiva que se vai dividindo em fragmentos sem, no entanto, perder a unidade.

Um pedacinho da alma tenta ficar materialista; outro, pragmático e oportunista; outro tiquinho da alma forma uma parcela de humanidade indiferente; ainda outro, a parcela solidária. A alma da humanidade fragmenta-se, penso eu, em mil pedaços, mas – num certo momento e diante das circunstâncias – ela revela a sua unidade. Ao votar em Madalena, a parcela da alma solidária compreendeu a sinceridade e a generosidade do travesti adorável mas pouco levado a sério.

Madalena – apesar de um período de enfermidade – é, hoje, um dos mais atuantes vereadores de Piracicaba. Pode não conhecer leis, não saber discursar, não usar da tribuna, não apresentar projetos de grandes dimensões. Mas ela entende de povo, da alma do povo. E cumpre o verdadeiro papel que – embora “suas excelências” se molestem com isso – restou para um vereador, para um deputado estadual: fazer acertos, intermediar.  A vereança perdeu sua importância democrática  por culpa dos próprios vereadores. Membros do legislativo tornaram-se, em todo o país, verdadeiros despachantes eleitos. E apenas isso. Madalena é essa prestadora de serviços, cuidadora, pessoa que vai ao encontro dos mais necessitados, que entende – por viver na própria carne – a realidade do povo e não a que intelectuais e políticos profissionais julgam saber.

Leis municipais – aliás, em quase todos os níveis do exercício democrático – estão, quase sempre, muito mais voltadas a interesses de grupos, de amigos, num compadrio medíocre, do que à coletividade em si mesma. Madalena, com toda certeza, nada deve entender de questões estruturais, de legislação social, de projetos de saúde e de educação. Mas entende, repito, de gente. Não saberia resolver problemas coletivos, mas cuida dos humildes, dos pobres, dos excluídos. É a única compreensão, talvez, que ela tenha. E, no entanto, tornou-se uma âncora em que se apóiam os afogados.

Não tenho dados ou informações concretas. Mas quase aposto que, na Câmara de Vereadores, Madalena é o mais procurado dos vereadores. E o mais amado. E um dos mais confiáveis. Isso basta que seja respeitada e admirada.

Nesse momento grave de quase absoluto descrédito na classe política – e da também  quase inutilidade de legisladores sempre subordinados ao Executivo – por que não se pensar em Madalena como nossa candidata à deputação estadual? Na Assembléia Legislativa – como nas Câmaras e no Congresso – há as bancadas que defendem direitos e interesses de classes sociais organizadas: sindicais, religiosas, empresariais, profissionais liberais. . Piracicaba já tem esses deputados representando tais categorias. Madalena seria, com toda certeza, a deputada defensora dos pobres, dos desprotegidos, dos esquecidos, dos que estão à margem. E que são a grande maioria da população. Ela seria como que uma assistente social eleita para ouvir os que não têm voz. Há leis demais neste país. Falta, aos políticos, o sentimento de fraternidade no coração. Madalena o tem de sobra.

Se candidata a deputada, Madalena poderia mudar a história política de Piracicaba em nossos tempos. Para melhor e para uma mais verdadeira realidade. Escrevo e assino.  E voto nela. Bom dia.

1 comentário

  1. Jose Maria Cassaniga em 28/04/2014 às 09:59

    Madalena não se serve do Poder e sim trabalha e muito pelo povo de Piracicaba , principalmente pela periferia, – como Deputada, teria meu voto também.

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