A generosidade dos barbarenses.

Essa nossa região caipiracicabana é feita de generosidades ancestrais. Não há instituição sólida, especialmente as centenárias, que não se tenham mantido a partir do apoio das populações desse ubérrimo Vale do Tietê Médio, às margens do rio Piracicaba, do Capivari, dos córregos e riachos que permitiram a existência dessa história.

Aos barbarenses, em especial, devemos lições dessa generosidade e dessa verdadeira paixão pela terra, pelos costumes, desse que é um estilo de viver apenas mantido, ainda, nesta região tão carinhosamente chamada de “caipiracicabana.” Santa Bárbara d´Oeste tem vínculos estreitos com Piracicaba, umbilicais, desde seu primeiro desmembramento em 1819.

Na vida e na história da Unimep, do Colégio Piracicabano e da Igreja Metodista, a generosidade de Santa Bárbara d´Oeste é mais do que secular, desde a acolhida aos protestantes vindos dos EUA. E, também, nos tempos mais próximos, quando Santa Bárbara d´Oeste se entusiasmou com a perspectiva de acolher, em seu território, o segundo campus da ainda jovenzinha Unimep. Ora, não existem empreendimentos filantrópicos que prosperem sem o apoio material de idealistas, de sonhadores. Isso pressupõe auxílios materiais, físicos, territoriais. Era do que a Unimep precisava para se instalar em Santa Bárbara, uma reciprocidade honesta e às claras.

Ora, questões imobiliárias envolvendo igrejas, escolas confessionais sempre foram confusas ou dramáticas. Veja-se o Colégio Dom Bosco, em Piracicaba. Para consolidar-se, precisou que a Prefeitura de Piracicaba – em decisão polêmica, contestada, aplaudida por uns, condenada por outros – cedesse terrenos, interviesse junto a empresas e empresários. Desde os vínculos de Martha Watts com os Moraes Barros, esses conflitos existem, aliados à generosidade dos caipiracicabanos. Em Santa Bárbara, a generosidade foi a mesma.

Muitos têm questionado – outros, arrogantemente, basofiam – questões de propriedades, atendo-se quase que apenas ao aspecto legal. Há questões éticas, morais. Quanto ao campus de Santa Bárbara, no entanto, não há discussão possível quanto à sua origem, tal a clareza de doações e de objetivos daquele povo generoso, de que Gustavo Alvim é uma das mais lúcidas testemunhas. Richard Senn sonhou o segundo campus; um homem público sonhador barbarense compartilhou dele, Jorge Assad Sallum. E a Prefeitura e empresários viveram a grande aventura do campus universitário barbarense.

Sabe-se que, daquelas terras, pelo menos parte foi doada, a posteriori, à Associação das Igrejas Metodistas. Mas o povo e os empresários barbarense doaram-nas para a construção de uma universidade, ao IEP, para fazer-se a Unimep. E assim aconteceu: as Indústrias Romi, doação de 113.375, 42m2; Agro Pecuária Furlan, 60.500m2; a Companhia Industrial e Agrícola Santa Bárbara d´Oeste, 48.400m2 e o povo de Santa Bárbara, pela Prefeitura, mais 48.000m2. (Mais informações, no livro de minha autoria, “Ousadia na Educação – a Formação da Unimep”, da editora daquela universidade.)

Essa generosidade é a dos barbarenses. Mas houve uma generosidade coletiva de Piracicaba e outras cidades em torno e a favor do IEP e da Igreja Metodista. Quando Davi Barros atropela tudo isso, quando até alguns bispos minimizam a história de um povo, tentando, baseados apenas na legalidade, falar em “bens terrenos”, há que se pensar mais seriamente na concretude disso. Pois, quando gente generosa doa algo a alguém, a doação foi de algo para alguém, os elementos constitutivos muito claros: doadores, doação, donatários. Se alguém doa, por exemplo, um terreno para construir-se uma biblioteca, não poderá ser usado para outros interesses. Mudanças posteriores podem ser até legais, mas há que se questionar, diante da arrogância, se são legítimas e morais.

Bens espirituais e ambições terrenas terminam, sempre, em confusão.

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