“Zonas de conforto” e falácias.

Entre tantas lastimáveis questões que envolvem essa tragédia da Unimep, as piores, certamente, são as falácias. E insistimos: falácia é a falsa verdade, o que se pretende dar como idôneo sabendo-se que não é. Logo, a “aparência de existência”. Tudo é tão insustentável que, filosoficamente, nem mais merece discussão.

Os interventores da Unimep insistem em responsabilizar a crise financeira principalmente ao que chamam de “altos salários” dos professores. Trata-se da falsa verdade, além do desrespeito e da falsidade do argumento. Em primeiro lugar, o que são “altos salários”? Se se considerar o salário-mínimo brasileiro, são altos, sim. Se comparados a universidades inexpressivas, a conglomerados de faculdades que abundam por todo o país, também serão altos. Mas, quando reitores e administradores sérios tratarem de excelência da educação e do ensino, não há mais que se falar em “salários altos”, pois não é possível medir a sabedoria, o conhecimento, a experiência, o saber de professores altamente qualificados.

A Unimep conseguiu impor-se como Universidade não em razão de sua mantenedora, nem de seus belos edifícios, nem apenas pela competência de seus administradores históricos. (Se falar na sabedoria deles, esta será incluída.) Mas a Unimep cresceu, impôs-se, afirmou-se a firmou-se exatamente por ter conseguido, ao longo do tempo, formar um elenco de professores altamente qualificados, mestres e doutores que levaram à frente o ideal educacional que formou o espírito da instituição, fortemente marcado, sim, pela verdadeira e mais nobre cerviz metodista. Que universidade brasileira pode, com orgulho e honesta vaidade, dizer de sua autonomia institucional, de seu arcabouço administrativo-gerencial, formado por colegiados e conselhos, esses que os desvarios messiânicos de Davi Ferreira Barros, com acólitos, busca destruir?

Se é para se insistir em “zonas de conforto” – desrespeitando e minimizando o saber, desrespeitando e desqualificando os profissionais daquela universidade – Davi Barros e alguns setores da Igreja Metodista deveriam falar, primeiro, de suas próprias “zonas de conforto”. Se há realmente uma crise incontornável na Unimep, por quê Davi Barros manda adquirir, ao início de seu mandato, uma Zafira para seu uso próprio? Ou isso, por mais pobre e medíocre a imagem – “et pour cause” – não é uma “zona de conforto”? O exemplo vem de cima. Como deveria vir quando, ao mesmo tempo em que demite professores por e-mails – forma incivilizada para uma instituição séria, atentatória até mesmo à caridade numa instituição filantrópica – cerca-se, privilegiadamente, de parentes em cargos-chave. E, quando – dispensando talentos extraordinários no vigor de sua produção – faz ressurgir, para a chefia da ordem acadêmica da “nova universidade”, a mesma pessoa que já era experiente profissional nos longínquos 1970. Ou seja: vinho velho em barris novos.

Não haveria uma grande “zona de conforto” nos dispêndios ainda não bem explicados para com estrutura religiosa da instituição? E nas grandes propriedades recebidas como doação? A arrogância dos tiranos põe a nu a alcova das tiranias. E o desrespeito, feito um vírus, se espalha por todos os setores, como acontece até com diretores de institutos metodistas contra o seu próprio colégio episcopal. A política de terra arrasada não poupa nada. E ninguém.

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