Teoria Política da “reunião”.

De Minas Gerais, sempre nos vieram as mais sábias e espertas lições da arte de fazer política, um estilo diplomático reconhecido nacionalmente. Em alguns casos, Maquiavel poderia ser visto como aprendiz da mineiridade. E o Cardeal Mandarino, um adolescente apenas iniciante. Pois foi esse estilo de ser, de viver, de fazer política que fez, de Minas e dos mineiros, como que uma síntese do país. E essa vivência – que é uma vocação – tem, na história política e no folclore, registros memoráveis, ora provocando grandes revoluções ora criando armistícios que permitiram resolver, pacificamente, crises tidas como incontornáveis.

Nos tempos mais próximos, foi Tancredo Neves o grande artífice de uma política pacífica no país. Ele se tornou um grande mestre. Mas teve professores ainda maiores. Começou com Getúlio, o gaúcho que deu lições a paulistas e mineiros. Mas, nas suas Alterosas, Tancredo bebeu da esperteza, da malícia, das artimanhas, da sabedoria política de Juscelino Kubistschek, de Benedito Valadares, de tantos outros, mas, especialmente, de um homem que pode ser visto como o aperfeiçoador do chamado “raposismo político”: José Maria Alckmin (não confundir com o insosso paulista, o Geraldo.)

Pois foi de José Maria Alckmin que Tancredo Neves trouxe a lição que lhe serviu para organizar partidos de oposição, para conter exaltados, para negociar, para parlamentar, para exercer toda essa arte da simulação e da dissimulação, do jogo de cena, do falso namoro entre gato e rato. Uma das regras que se tornou clássica: “Só se faz reunião quando o assunto estiver previamente resolvido.” Que tem a regra conseqüente: “Se não se quiser resolver o assunto, faça-se reunião. E outra e outra. E, ao final delas, para não resolver de vez, crie-se uma comissão. Ou diversas comissões.”

O Brasil vive de reuniões e de fazer comissões. Há comissão para tudo, além das comissões de negociatas: comissão de estudos, de greve, de negociação, de avaliação, comissão de relações internacionais e de relações nacionais, comissão de festas, comissão de pesar. Para tudo dar em nada.

Davi Barros não é mineiro, muito pelo contrário. O seu é temperamento explosivamente messiânico, das barrancas do Piracicaba. Sua habilidade diplomática está próxima do zero. No entanto, uma parte de seus assessores é formada por uma boa e paciente gente mineira. Talvez, desses assessores, venha a também paciente arte de inventar, de propor, de fazer reuniões. Para nada resolver, para ganhar tempo, para aparentar boa vontade e, enfim, saber, como o gato, a hora certa para dar o bote no seduzido rato.

Ora, a lenga-lenga parece não ter fim. E ninguém, de bom senso, pode entender que, após o MEC ter ordenado, terminantemente, que a Unimep retorne ao estado de legalidade, que a Justiça do Trabalho esteja, pacientemente, intervindo como mediadora e fazendo propostas inteligentes – a ninguém, pois, de mínimo bom senso, é permitido acreditar que Davi Barros continue, tão impávidamente, desrespeitando orientações, ordens e até mesmo orientações do poder público. Mas, ora, Davi Barros chegou ao desplante de denunciar, à Corregedoria de Justiça, alguns juízes-professores da Unimep, sugerindo fossem colocados sob suspeição, ou há quem não saiba disso?

Se a prepotência ou o poder divinatório chegam a tanto, por que continuar acreditando haja sinceridade, apenas por ela ser aparente? Fazer reunião para marcar outra reunião e, depois, marcar outra reunião para avaliar o que ocorreu na nova reunião, isso é artimanha com dias contados. Mas é o que a Davi Barros mais interessa: contar os dias, ganhar tempo, vencer pelo cansaço, esperar milagres, talvez a intervenção divina. Enquanto isso, famílias sofrem, professores são humilhados e alunos desrespeitados por uma direção que perdeu a credibilidade. Mas se é o que essa cúpula diretiva dos metodistas querem, eles que respondam pelo triste, amarga, inacreditável processo de humilhação imposto à Unimep.

E, ora vejam: agora, até diretor da escola Izabela Hendriz se dá ao direito de meter o bedelho em assuntos da Unimep, essa universidade que, em sendo metodista, é também de Piracicaba. Virou bagunça, que pena.

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