Atentado moral também na Santa Rosa.

Parece que a atual administração municipal ficará mesmo marcada por esse obsessivo enfrentamento ao meio ambiente, o pavor à natureza e, por conseguinte, o seu temor de o ser humano manter-se em nível mais elevado do que a mesquinhez da economia individualista. Há, em Piracicaba, uma união de forças deletéria, como sanguessugas – nome que surge ao correr do texto, mas apropriado – da história, do povo, da produção séria e da responsabilidade social. São praticamente os mesmos em áreas e setores que se interligam. Em outras localidades e países, a isso se deu nomes próprios e adequados, tais como “maffia”, “cosanostra”, “famiglia”. Por aqui, sabe-se quem são, mas eles se chamam, a si mesmos, de “parceiros”.

Ora, quando se fala em parcerias entre público e privado há que se ter olhos atentos. No Brasil, isso tem redundado numa promiscuidade que, como toda promiscuidade, produz frutos ruins. Se um arquiteto ou um engenheiro, por exemplo, assume cargos e funções públicas diretamente ligados à sua atividade profisisonal, haverá promiscuidade se ele não se afastar de seus interesses pessoais. Se, por exemplo, Saúde, Educação e Esporte se envolvem, tendo titulares que mantêm ao mesmo tempo atividades pessoais e públicas ligadas às áreas, estamos, pelo menos, diante de algo eticamente condenável, na caracterização da mais condenável ainda promiscuidade público-privada.

Há poucos dias, levantávamos nosso protesto contra o escândalo, o atentado moral que se comete à Lagoa de Santo Rita como bem público e à população mais humildade. O fechamento, com muro, do local, apenas para atender privilégio de moradores influentes do local, pode ser uma das marcas da atuação tucana em Piracicaba, mas não deixa de ser imoral, lastimável e condenável. Não nos demos conta, porém, de que a Santa Rita está sendo nada mais do que a continuidade do processo de devastação, de imoralidades e de ilegalidades que já ocorre no bairro e na Lagoa de Santa Rosa, para indignação de seus moradores numa luta que alcançou, em cheio, o ex-secretário municipal, banqueiro e empresário Almeida.

É um processo que se arrasta, de devastação, de ilegalidade, de irresponsabilidade, de desrespeito à população. E com apoio da força política e administrativa municipal. A marca oficial da Prefeitura parece ser a de deixar-se atingir por mazelas sem fim, por escândalos, por suspeitas, por questões sombrias. A Lagoa de Santa Rosa – e divulgaremos todo o processo em curso, com fotos estarrecedoras – é símbolo de que, em Piracicaba, “tem gente competente para fazer.” A qualquer preço. Não importam os meios.

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