Chique e civilizado.

Há pessoas cujas opiniões, a respeito de determinados temas, se tornam referenciais, permitindo o surgimento de comportamento ou a transformação deles, dando diretrizes e, em muitos casos, se tornando mestres daquilo que transmitem. Glorinha Kalil é uma dessas pessoas. E cada uma de suas opiniões – elaboradas, todas elas, com seriedade e transmitidas em linguagem acessível – vale por uma lição em referência às chamadas boas maneiras, relacionamentos sociais, o que, antes, era conhecido como “civilidade” e “etiqueta”.

Glorinha lança um novo livro – “Alô, chics!” – e a síntese dele é, na verdade, uma lição de vida: “chique é civilizado.” Ou seja: é impossível haver refinamento – a que se refere o chique – se não houver civilidade. E é exatamente o que vem ocorrendo em todos os setores da sociedade brasileira, onde o deslumbramento de novos ricos ou dos chamados emergentes sepulta, no nascedouro, o que pudesse haver de refinado, de civilizado, de polido. Há como que uma imposição de contas bancárias, sem quaisquer cuidados com princípios e valores de convivência, exatamente os que constroem a civilização ocidental.

O civilizado é a base de tudo, incluindo a política, os costumes sociais, as relações humanos. Já nos cansamos de lembrar que, quando se fala em cidadania, fala-se de civilização e de política. Pois, antes de mais nada, o cidadão é o político, o homem da polis. E, por ser político, ele tem polimento, polidez, sabe policiar e defende policiamentos necessários, de forma que a liberdade humana se torne cada vez mais consciente e, portanto, responsável.

Quando, portanto, se fala de governos e de governantes corruptos, fala-se, antes de mais nada, em falta de civilidade, em fracasso da civilização. Um governo político, por não ser civilizado, é grosseiro, não confiável, truculento, sem educação e, portanto, sem confiabilidade. O corrupto não pode ser chique, mesmo que com contas bancárias recheadas. E é brega na melhor explicação de Glorinha Kalil, como aquela mulher inteiramente vestida com pele de onça. A pele do corrupto transuda coisa ruim. E feia.

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