Para nem argentino por defeito.

Quando dizíamos do encantamento que o presidente Lula causa – com sua capacidade de deslumbrar-se, de admirar, o homem poderoso que mantém vivo, na alma, o menino carente – penso estar avaliando de forma, pelo menos, minimamente correta. Lula se encanta e, então, encanta. Agora, na Suíça e com a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo em 2014, repetem-se as emoções do presidente, contagiando-nos com a alma por assim dizer limpa que ainda mantém.

Lula tem a alma do povo brasileiro e está nisso a sua grande vantagem sobre intelectuais, acadêmicos, poderosos de todos os naipes que se aventuraram na política. Naquele mesmo local, em Zurique, estiveram governadores de estados brasileiros, incluindo o nosso sempre mal-humorado José Serra. E o deslumbramento foi de Lula, a alegria quase infantil de poder dizer, ao mundo, que o Brasil, enfim, será sede da Copa do Mundo, mais de sessenta anos depois da tragédia do Maracanã em 1960.

As declarações do presidente Lula podem não ser consideradas protocolares para externar o pensamento de um Chefe de Estado e Chefe de Governo. E apostamos como os opositores de plantão, gratuitos ou encomendados, haverão de tecer críticas à fala descontraída, emocionada e apaixonada do presidente do Brasil. Mas ele é Lula. E o país é o Brasil. Lula fala como brasileiro, em nome de brasileiros, para o mundo. E diz, com fervor cívico, de nossas belezas naturais, oferecidas ao turista que vier para a Copa do Mundo, e o virtuosismo de nossos atletas, a maravilha de um futebol que sempre encantou o mundo.

Poder-se-á dizer que o Presidente Lula falou como torcedor fanático e apaixonado ao dizer que “o Brasil realizará uma copa do mundo para argentino nenhum botar defeito.” E foi, sim, o que ele fez. Por isso, ele é Lula. E somos o Brasil. Que, rompendo protocolos, levamos muito do nosso calor humano à burocrática Suíça.

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