Madame e Lu, Daslu, Daspu.

Qual a diferença essencial entre um narcotraficante e um traficante de influência? Ou entre um assaltante de banco vindo dos morros e um outro, vestindo smoking? Por que ninguém mais fala do ministro da área de finanças, de Fernando Henrique, em cuja conta se encontrou a soma inexplicada de um milhão de dólares e fala-se tanto de mensalões? Por que se escandaliza com os 50 mil reais que a mulher do deputado João Paulo retirou de um banco e já não se fala das viagens de famílias inteiras de ministros do PSDB? Por que se esqueceu de ACM, não o daqui, o da Bahia? O que é o Uno que o Collor ganhou diante dos carrões de assessores do PT? E os escândalos no Ministério da Saúde, com os vampiros do sangue?

Essas coisas são apenas para se refletir a respeito da secular diferença, no Brasil, entre ladrões de galinha e ladrões do sistema financeiro. Trata-se, na verdade, de uma questão apenas de estilo. Quase lincharam dona Marisa, mulher de Lula, quando a viram maquiada e penteada por esteticistas e vestida por modistas de São Paulo. Mas começou a haver um silêncio sepulcral quando estourou o escândalo da Daslu, templo do luxo paulistano, onde uma das principais dirigentes era a filha do ex-Governador e atual candidato Geraldo Alckmin. A filha era a intermediária, junto a instituições estaduais, para obter créditos privilegiados para a Daslu, confome denunciaram os jornais ainda recentemente. E, agora, as denúncias multiplicam-se, repetem-se: Madame Lu Alckmin não apenas recebia vestidos luxuosíssimos de renomados costureiros, como pedia e exigia. Primeiras Damas estão proibidas de determinadas relações. Repete-se a advertência dos romanos: “A mulher de César não tem apenas que ser honesta, mas também aparentar honestidade.”

A melhor das respostas talvez esteja no surgimento da nova “griffe”, criada pelas prostitutas e que já é sucesso: a Daspu. As chamadas mulheres da vida assumem-se, saem nas ruas com suas marcas próprias, não mentem, não fingem, não se escondem por trás de imagens falsas. Enquanto Madame Lu está sendo alvo de investigações, enquanto a Daslu se vê enredada em uma teia de suspeitas, a Daspu conquista a simpatia nacional. O PSDB, de estilingue, virou vidraça. E, de tanto bater em Lula e no PT, cada corrupçãozinha que aparecer – há graduação no nível de corrupçao? – será, inevitavelmente, amplificada. Madame Lu está na linha de tiro. E atinge mortalmente o marido, tão bonzinho, prometendo um “banho de ética” para o Brasil. Não sei, não, mas tem cheiro no ar de que Geraldinho entrou de gaiato nessa candidatura. Os antigos sabem o que, em política, significa “cristianizar”. Se Alckmin está sendo “cristianizado”, o tempo dirá. O fato é que Madame Lu, Daslu e Daspu são mais do que uma rima.

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