Não sendo Davi, tornou-se Judas.

Talvez, diante do Calvário da Unimep, esta Semana Santa nos permita uma reflexão mais profunda sobre hipocrisias, traições e mentiras que se cometem em nome da religião. E de como, a exemplo dos fariseus dos tempos de Cristo, igrejas têm servido a apetites e a mesquinhezes. Ora, o “ser cristão” é uma construção permanente, luta diuturna para quem acredita nos valores mais íntegros do Cristianismo. Por isso, é temerário quando alguém ou instituições “se dizem cristãs”, pois isso tem o significado de concretude, de definitivo e não de uma caminhada. O “ser cristão” – pessoas, instituições, igrejas – é um processo, um “continuum”, a chamada conversão de cada dia, a fidelidade heróica a propósitos, a ideais, a princípios. Logo, o “ser cristão” é esse “vir a ser”. Caso contrário, sempre será uma farsa, na tragédia de igrejas e de religiões servirem a apetites pessoais.

Nesta Semana Santa, há que se lamentar que, tentando ser profeta de um grupo sectário que o colocou no comando de uma universidade e em nome de uma facção religiosa, Davi Barros tenha sido Davi apenas em delírios e em messianismos que beiraram o ridículo. De Davi, teve apenas o nome, numa distância abissal do grande Rei Davi do qual se profetizou viria o Salvador, da família de quem surgiria o que seria chamado de “Filho de Davi.” O Davi da Unimep foi um outro, apenas um nome. Que, desgraçadamente, não conseguindo seguir sequer os rastros do Davi bíblico, conseguiu, com grande maestria, ser o Judas dessa história. Davi Barros, nada tendo de um condutor de povos, foi o traidor da Unimep, de Piracicaba, dos professores e, também, dos alunos.

Não há tempo mais propício – nem cenário mais adequado – do que a Semana Santa para se falar desse Davi, que está vendendo a Unimep por 30 dinheiros, número cabalístico que ele transforma em 30 milhões de reais de dívidas. Davi tergiversa, Davi trai, Davi engana, Davi perdeu o respeito de professores e de alunos, Davi parece obstinado num único propósito, em um só: a destruição da Unimep histórica e heróica para levá-la ao colo da universidade de mercado que Davi Barros, com o apoio de sectários da Igreja Metodista, erigiu em São Bernardo.

Nunca se viu, como se vê aqui e agora, tanta paciência de professores, tanta disposição ao diálogo, desde que mantida a premissa maior e principal: a dignidade. Com Davi Barros e seus ditos assessores – que passarão à história mais como um bando do que como um grupo, tais as artimanhas, irregularidades e farsas que pregaram – essa dignidade foi pervertida. E, ao observador, chega a ser admirável constatar a paciência, o bom senso, o equilíbrio do corpo docente da Unimep, a quem a ala séria e honrada da Igreja Metodista deve um preito de gratidão: são os professores que lutam pela dignidade da mantenedora, conscientes de que a Unimep não é uma fábrica de diplomas, nem a Igreja Metodista histórica, uma igrejinha de mercado, como algumas outras que vêem pastores e bispos perseguidos pela Justiça e pela Polícia.

Davi Barros é o Judas dessa história. E, na Semana Santa, quando se vive mais intensamente o Calvário dos professores, sabe-se o que haverá de acontecer: a Paixão do corpo docente haverá de se transformar em Morte, morte de uma agonia e morte de tanta humilhação, para se transformar numa Ressurreição fulgurante que poderá vir ou pelo bom senso do que restou da Igreja Metodista, ou da própria Justiça. Quanto a Judas, mesmo que não use árvores e cordas, o seu já foi um suicídio moral. E levou, consigo, os cúmplices da traição.

A Ressurreição da Unimep, de uma ou de outra maneira, se anuncia. Porque sua morte seria tornar-se a Unimep vil, medíocre e mercantilista ideada pelo que trai princípios em favor do tilintar das moedas no caixa. Davi, insistíamos, abriu a Caixa de Pandora. E, no final do Calvário, sabe o que acontece com Judas. Já aconteceu. Ora, um homem que não respeita sequer a Justiça, haverá de respeitar o quê? E que Igreja pode sobreviver a tanta mentira, a tanta falsidade?

A traição de Davi, o Judas da história, transformou Unimep e Igreja em um caso de Polícia Federal. Se não há acordo com professores, que a Polícia, então, resolva, como parece ter escolhido Davi Barros. Falta apenas a corda para se enforcar. Árvores, há centenas na Unimep, testemunhas, todas elas, dessas décadas de dignidade.

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