Uma Páscoa amarga.

Em documento interno, a direção da Unimep e IEP – entenda-se, a interventoria de Davi Barros – na última terça-feira, já em plena Semana Santa e às vésperas da Páscoa, endereçou a professores e funcionários o seguinte comunicado:

a. no dia 05/04/07, estaremos pagando integralmente, os funcionários de todos os “campi” e os

professores do Colégio Piracicabano.

b. Para os demais professores, estaremos depositando o valor líquido de até R$ 1.600,00.

Essa frieza, essa provocação, essa audácia administrativa e o menosprezo ao que ainda resta de direito e de justiça levam a algumas conclusões ainda mais sérias do que as que, nestes últimos meses, têm alarmado os que vivem a crise e os que, como nós, a acompanham à distância. Pois não se trata mais e apenas de um caso de Polícia, de audácias e irregularidades que estão levando a Igreja Metodista – sem que, em ignorância alarmante, muitos bispos e pastores se apercebam – às barras de tribunais e aos dossiês policiais. Davi Barros deixa de ser apenas um “caso de Polícia” e tudo indica que se vai tornando um “caso clínico”, tais os disparates, o desequilíbrio, a programada violação de direitos e de valores que ele desencadeia.

Ao mesmo tempo em que, criando uma amarga Páscoa para professores de uma instituição confessional – até há poucos meses, orgulhosamente metodista – ele determina corte de salários a seu bel prazer, Davi Barros, sem sequer ruborizar-se ou ter preocupações mínimas de ordem legal e ética, diz, em reunião de professores, ao lado de assessores, que “estatutos e regimentos não mais existem diante da crise econômico-financeira.” A insensatez parece ser galopante, incontrolável, insuperável, o que permite antever uma tragédia de proporções ainda não avaliadas pela Igreja Metodista, que se torna, claramente, por sua cúpula dirigente, comparsa e cúmplice de delitos e de tiranias.

Davi Barros teria enlouquecido? É a indagação perfeitamente justa e calcada em motivos graves que se faz entre docentes, discentes e funcionários. Pois seu comando é de tal forma descontrolado que a imagem mais adequada é a de uma aeronave possante dirigida por um chefe enlouquecido, de um transatlântico levado, propositalmente, em direção aos icebergs. E, pior ainda, quando se rasgam estatutos legais e regimentos constitutivos de uma instituição, é a imagem de um General Costa e Silva, feroz e complexado, vingativo e colérico, investindo contra homens de bem e contra a inteligência, brandindo o Ato Institucional. Ora, homem de direita que é, carregando amargores terríveis – que lhe marcam a trajetória com acidez e rancores – não há figura democrática que possa inspirar Davi Barros, pois a sua vocação é para o confronto, para a imposição, para o desrespeito à legalidade.

Devem estar errados todos os que viram, em Davi Barros, traços messiânicos, delírios de religiosidade fanática. Sua inspiração são os tiranos, ditadores. O perfil de Costa e Silva cabe-lhe bem. Mas o de Nero não ficaria em desvantagem.

Quando pastores e bispos metodistas falarem, nestes dias, em amor, ressurreição, caridade, fraternidade, vida cristã – que tenham, pelo menos, um mínimo de rubor ao se lembrarem da Páscoa amarga que ajudam a oferecer a centenas de famílias de professores dignos e honestos. Será uma Páscoa falsa e hipócrita para a Igreja Metodista,serão cultos farisaicos. A menos que ela própria ressuscite dessa sua morte sem dignidade, que lhe aconteceu ao ser parceira de convés no barco desvairado de Davi Barros.

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