Um grande projeto urbanístico no Taquaral.

A história da Unimep contém heroísmos que apenas os simples burocratas administrativos não apreendem ou respeitam. E heroísmos acontecem sempre diante de ameaças de perigo, de violências ou quando os muros das cidadelas são arrombados. A criação da universidade foi um parto dramático e doloroso do qual Piracicaba foi parte atuante, também como geradora. Mas não é sobre isso que nos interessa falar agora, mesmo por não ser o momento oportuno.

Acontece que, nessa trajetória heroica, os momentos de crise foram inevitáveis, quase sempre cíclicos, razão, talvez, do surgimento de homens providenciais, heróis e heroínas. Ora, a gênese da universidade foi um desafio, pois nasceu, ela, ao mesmo tempo confessional mas com pretensão de universalidade, o que significa autonomia, condição sem a qual não existem universidades sérias. Essa luta pela autonomia, por “estar com a Igreja Metodista sem ser dogmática”, marcou a trajetória de homens como Richard Senn, Elias Boaventura, Almir Maia, Gustavo Alvim, mesmo tendo sido, todos eles, homens leais aos compromissos metodistas. Souberam, como poucos, manter o espírito cristão como inspirador da universalidade, uma luta fantástica contra setores sombrios – que existem em todas as igrejas – que pretendiam fosse, a universidade, apenas um apêndice da atividade clerical.

Esse breve preâmbulo é para lembrar das grandes conquistas patrimoniais que a Igreja Metodista teve a partir de Richard Senn, que foram comprometidas em certo momento na administração de Elias Boaventura, mas recuperadas e ampliadas por Almir de Souza Maia. O Taquaral é um patrimônio de valor, hoje, incalculável. Parte dele tinha-se perdido, mas recuperado por Almir de Souza Maia. E, no Taquaral, existe um projeto que pode – quem sabe? – ser uma das causas de todo o assanhamento materialista do atual Conselho Diretor e de seu representante e executor de ordens, o interventor Davi Ferreira Barros. Pois o Taquaral já tem elaborados estudos para se transformar num grande pólo urbanístico de Piracicaba, empreendimento de grande vulto, envolvendo valores milionários.

Pode ser que Davi Ferreira Barros não saiba do projeto. Ou, então, que saiba muito dele. Toda a área da chamada “Fazendinha”, aquela divisa significativamente demarcada por eucaliptos, faz parte de um projeto, em possível parceria com o empresário Roberto Dedini – que tem em seu nome, de parentes ou de suas empresas, terras vizinhas – e empreiteiros, para se transformar num imenso parque urbanístico, loteamento com prédios de apartamentos, casas, Cidade Universitária, shoppings, centros de convenções, hotéis de alto nível, etc. Seria uma verdadeira nova e moderna cidade em complemento ao campus universitário.

Se Davi Barros não sabe disso, é melhor procurar saber . E, se sabe, deveria revelar os detalhes para professores e funcionários. Ou então – já que se trata de questões financeiras – por que não abrir mão de parte dessas propriedades, oferecendo-as aos parceiros do grande sonho urbanístico do Taquaral? Nada existe de errado em uma universidade possuir propriedades ou fazer empreendimentos comerciais e empresariais. O errado está em ela própria, universidade, se tornar uma casa comercial, com finalidade apenas lucrativa, como parece ser o modelo de que Davi Barros é o provisório executor.

Esse projeto imobiliário deveria ser parte das discussões com professores e funcionários. Em nome da honestidade de negociações. Na realidade, ele pode explicar até mesmo reações favoráveis à mercantilização da universidade, vindas, por exemplo, de proprietários de terras nas vizinhanças. Piracicaba cresce em direção ao Taquaral, apenas os que se fingem de tolos tentam ignorar essa realidade econômica.

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