Desobediência civil, urgente

Ora, já há cerca de oito anos estou exercendo, de alguma forma, o meu direito à desobediência civil. Pois – procure saber, quem ainda não sabe – desobediência civil é, sim, um direito. Tal como o da greve, também o da revolução, quando um povo se sente ameaçado em sua soberania. E por soberania há que se entender, também, a dignidade nacional. Desobediência civil já ocorrera na Grécia, mãe da democracia. E levou os Estados Unidos a um novo estágio,  quando, em1848,  o grande Thoreau a proclamou, legitimando-a como uma forma pacífica de recusa a um sistema.

A grande vitória da desobediência civil – que se tornou paradigma universal – foi liderada pelo Mahtama Gandhi, libertando a Índia de toda a opressão. E a inesquecível liderança de Martin Luther King?  O notável Kant também lhe dá legitimidade. E essa reação é óbvia, justificável, necessária quando povos e nações estão sendo humilhados, saqueados, cruelmente zombados por facínoras que chegam a poderes tido como constitucionais. E o que está ferindo quase de morte o Brasil, senão a ação de facínoras eleitos pela irresponsabilidade da maioria do povo?

De minha parte, deixei de votar há várias eleições. Pois tive consciência de que, votando, estaria, apenas, legitimando farsas e instituições fictícias. Não mais suportei votar sempre no menos ruim. Descobri, finalmente, que eu estava desrespeitando-me a mim próprio ao participar de tamanha “opera buffa”. O voto tornou-se, para mim, não mais um direito, mas confissão de cumplicidade, de conivência. Recuso-me, pois,   a ser comparsa de bandidagens.

Canalhas temem a honestidade, a decência, a virtude. O povo brasileiro – em sua imensa maioria – tem dignidade, a nossa dignidade nacional. É hora, pois, de promover a desobediência civil, legítima, legal e necessária. Não mais obedecer a desmandos, a leis imorais, a conchavos em nome do direito e da liberdade. Não mais obedecer falsas e hipócritas noções de uma também falsa, hipócrita e mentirosa democracia. Esta não existe entre nós, pois ela serve apenas aos donos do poder. E o nome disso é tirania.

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