O “mictório da Matriz”

Desde o final do século passado, um dos grandes problemas de Piracicaba estava na ausência de mictórios públicos centrais. As reclamações eram permanentes especialmente devido aos maus-cheiros, já que as pessoas se aliviavam na rua atrás da Matriz de Santo Antônio, atual Catedral de Santo Antônio. O lugar, por sinal, era todo ele problemático, pois havia cemitérios ao derredor, herança da época dos escravos, quando os negros eram sepultados em cova rasa e em terrenos eclesiásticos.

O problema começou a ser resolvido no dia l4 de setembro de 1900 quando, finalmente, o governo municipal iniciou a construção do mictório atrás da Igreja Matriz. Foi durante a administração do Coronel Aquilino Pacheco, figura ímpar cuja memória não tem sido adequadamente preservada e honrada pelo tanto que fez a Piracicaba. O Coronel Aquilino Pacheco atendeu aos reclamos da população da época e, quando da inauguração, o mictório “atrás da Matriz” foi sensação na Cidade. Até que, no dia 27 de setembro daquele histórico 1900, surgiu novo problema: “um gaiato subthraio a lampada electrica do mictorio”, conforme divulgou a velha “Gazeta de Piracicaba” daqueles tempos.

Nos anos de 1949/1950, o prefeito Luiz Dias Gonzaga inaugurou o novo “Mictório Público”, que ele considerou a sua obra pública preferida. Quando se deu a iluminação do mictório, Luiz Dias Gonzaga, que morava na rua Alferes José Caetano, esquina de D.Pedro II, costumava levar amigos para ver a construção toda iluminada e comentava, orgulhoso: “Não parece a Praça da Sé?” (V. em “Piracicaba Política, a História que eu sei, 1942/1992), de Cecílio Elias Netto, depoimento de Francisco Salgot Castillon.)

Esse mictório público é o mesmo que, atualmente, está sendo reformado pela administração do prefeito Barjas Negri, apresentado como mais uma de suas obras numeradas.

Autor: Cecílio Elias Netto

1 comentário

  1. Rui Kleiner em 28/10/2012 às 16:48

    Muito justa reforma, especialmente para alguém que transforma a cidade num penico cultural.

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