Milagre na “Pharmácia Neves”

No final do século XIX, um farmacêutico de nome Luiz Carlos de Arruda Mendes se dizia inventor de remédios milagrosos. A “Pharmácia Neves” era distribuidora de seus produtos. Tratava-se da mais afamada botica de Piracicaba, de propriedade da família Castro Neves, de políticos famosos, como Samuel e Francisco de Castro Neves (prefeito,o primeiro; ministro do Trabalho, outro) e de médicos que assistem os piracicabanos há gerações e ainda agora.

Um certo José Antônio Barroso deu um testemunho patético sobre a “cura”, em publicação na “Gazeta de Piracicaba”, de 19 de Abril de 1900: “O abaixo assinado atesta sobre juramento que achando-se carregado de tudo quando é sífilis e com o corpo coberto de chagas de todos os tamanhos, já parecendo-se a um morfético, visto que desde a cara até os pés estava lavrado; nesse estado foi despedido do serviço da fazenda do sr. Joaquim Fabiano da Cunha. Desanimado da vida, apresentei-me ao farmacêutico Luiz Carlos de Arruda Mendes que aplicou-me o Licor Antipsorico de Mendes e os Pós Depurativos de sua invenção. Remédios abençoados que já fizeram-me voltar para o serviço da fazenda.(…)”

Contra cachorro louco

Lendas e crendices sempre fizeram parte do riquíssimo folclore piracicabano. Ainda no século XIX, na rua do Porto, lugar insalubre, Afonso Pecorari – tendo convivido na Corte, músico de conjunto que tocava em saraus da realeza — entendia de muitas coisas mas não tinha como resolvê-las. Por saber ler e escrever, tudo lhe era pedido e exigido. Certa vez, um conhecido de Afonso viajou mais de dezena de léguas para lhe pedir “receita” de “remédio” contra mordida de cachorro-louco. A receita de Afonso: escrever, em 40 pedacinhos de papel, a seguinte frase, engolindo um papelzinho por dia: ” Cachorro louco me mordeu mas eu não fico louco.” E ele escrevia o receituário para os necessitados…

Os “ora pro nobis”

Os médicos do passado não conseguiram tirar, do povo, as crendices, superstições, lendas, orações de benzedeiras, os “ora pro nobis”, mandingas de negras velhas, adivinhações de parteiras. Há a “receita” de Nhá Sinhana, casada com Nhô Zé, para saber o sexo do bebê: espera-se que a mulher chegue ao sexto mês de gravidez; daí, coloca-se um quiabo numa panela com água, leva-se ao fogão, deixa-se ferver. Fervido, retira-se o quiabo da panela deixando-se, por alguns segundos, em água fria. Se o quiabo abrir, será menina; será menino se ficar fechado.

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