Igreja de São Benedito: apenas colaboração feminina

O projeto de reforma da Igreja de São Benedito não é de autoria feminina, ao contrário do que foi noticiado na última edição do Almanaque. O dado que poderia ter uma dimensão histórica significativa, pela participação da mulher na questão da arquitetura no começo do século XX, foi esclarecido pelo arquiteto Marcelo Cachioni, para quem, Euthália Kiehl, líder daquela comunidade, esteve apenas a frente das obras projetadas por seu marido,Eduardo Kiehl.Segundo suas pesquisas, “em 1906, a capelamor da Igreja foi desmanchada, levantando-se as novas paredes até o madeiramento, obra que ficou paralisada por dois anos, até que, em 1910,foi executada a cobertura, sendo que a parte do altar-mor foi coberta em fevereiro de 1912. Neste mesmo ano, o corpo restante da igreja foi demolido para a execução do projeto do engenheiro Eduardo Kiehl, tendo João da Silva Amaral como construtor e Augusto Rochelle como mestre-carpinteiro.

A esposa do Dr. Kiehl, D. Euthália, esteve à frente das obras. Em 1917, a Irmandade de São Benedito (fundada e instalada em 1º de dezembro de 1907) convidou o Dr. Kiehl a apresentar planta de reconstrução final da igreja com demolição das velhas paredes de taipa. Em 1918, foi autorizada a construção de dependência no fundo da igreja para servir de sacristia. Essa dependência foi construída com portas e janelas ogivais, inclusive semelhantes às da residência do presidente Prudente de Moraes e da ‘Trinity Church’ da Igreja Metodista”.

Kiehl era natural de Campinas e formou-se pela primeira turma da Escola Politécnica, em 1899, tendo sido companheiro do escritor e engenheiro Euclides da Cunha na construção da ponte sobre o Rio Pardo, em São José do Rio Pardo.

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