A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXVI)

Posição da Igreja
Eram claras as novas posições da Igreja Católica, assumidas pelo Bispo D. Aniger Melilo. A diocese renovava-se com a chegada de jovens padres que tinham grande poder de comunicação com o povo: padres José Maria de Almeida, José Maria Teixeira, Otto Dana, Walmor Mendes, todos eles engajados socialmente, como se dizia na época. Os universitários reaproximavam-se da Igreja Católica. E foi D. Aníger Melilo o responsável pela guarida à corajosa manifestação dos estudantes, sob as ordens do C.A.”Luiz de Queiroz”, que atendiam apelo e convocação da UNE para realizar, também em Piracicaba, a passeata de protesto pela morte do estudante Edson Luís e pelos rumos totalitários que o golpe militar assumia. Foi o primeiro ato ecumênico em Piracicaba, depois de tantos anos de incompreensões e ressentimentos. D. Aníger determinou que os estudantes – fugindo à perseguição dos militares que haviam enviado até tanque de guerra para coibir a manifestação em Piracicaba – se refugiassem nas dependências da Catedral de Santo Antônio e também na cripta daquela igreja.

Os militares postaram-se à frente do templo, prontos para impedir a passeata. Foi, então, que D. Aníger Melilo e o Reverendo Ângelo Brianezzi, da Igreja Metodista, saíram à frente da juventude, levando os moços às ruas, desafiando a polícia e os militares que, diante da presença dos dois religiosos, ficaram indecisos em como agir.

A nova postura da Igreja refletia-se, também, nos meios de comunicação e na política. Os “Cursilhos de Cristandade” iam-se tornando meios eficientes para o pretendido objetivo de “evangelização dos ambientes” Na imprensa, tínhamos sido Luiz Antonio Rolim e eu os primeiros a participar dos Cursilhos. Logo em seguida, iriam Losso Neto, Antonio Messias Galdino, João Maffeis Neto, Geraldo Nunes, José Antonio Bueno de Camargo (ABC), os radialistas Rubens Lemaire de Morais, Garcia Netto, dona Maria Conceição Figueiredo, Sidney Cantarelli, Francisco Caldeira, Waldemar Bitia, Eurotides Gil, Ari Pedroso, entre outros. E a área política era também alcançada: o primeiro político a ingressar no movimento de Cursilhos foi Salgot Castitlon. Logo em seguida, viriam João Guidotti e Geraldo Carvalhaes Bastos. Na Câmara Municipal, ingressavam os vereadores Milton Camargo, José Alcarde Corrêa e os também sindicalistas Celso Camargo Sampaio e Newton da Silva, mesmo porque os sindicatos também eram alvos preferenciais daquela ação católica. Nos anos seguintes, a Câmara Municipal e a política, em Piracicaba, teriam forte influência dos “vereadores cursilhistas” e também a dos “movimentos de juventude”, vinculados à Igreja Católica, especialmente durante a administração de Adilson Benedicto Maluf, no início dos anos 70.

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