Freud ou Polícia, quem explica?

Com os desvarios administrativos de Davi Barros e seu desrespeito para com tudo, A Unimep e o IEP começam a fugir a qualquer análise ou observação apenas racional. Não há possibilidade de uma interpretação lógica, de uma análise dialética a partir do princípio legal e da ordem moral. Quando se acredita que a racionalidade, o bom senso, a civilidade e o dever diante da lei prevaleceram, tudo vai de roldão, como se Davi Barros agisse como um fanático tomado de luzes que apenas ele vê ou sente, de missão divinatória e, portanto, acima de qualquer compreensão racional. Davi Barros e sua equipe, a ala atualmente diretiva da Igreja Metodista, podem até acreditar em tudo isso. Mas o restante da humanidade, que tem compromissos com a realidade da vida, não tem a obrigação de se sujeitar a humores de líderes messiânicos ou a vozes do além.

Há a velha e sábia anedota do hospício e de Napoleão, que tem servido, ao longo dos anos, para uma melhor compreensão dos equívocos da vida. Um grupo de estudiosos, chegando ao sanatório de malucos, viu um homem que, ajoelhado e de braços erguidos, falava com os céus. Dizia coisas, parecia ouvir outras e respondia. O diretor do hospício explicou, aos estudiosos, que eles estavam diante de Napoleão. Estranhando de ver um Napoleão ajoelhado, orando, em delírios febris, quiseram saber, dele, porque Napoleão estava em atitude tão mística. O homem – louco, ou doente, ou fingindo ou apenas esperto – explicou: “É o diretor do hospício que está errado. Meu nome verdadeiro é Napoleão, Napoleão da Silva. Mas, na verdade, eu sou Jesus Cristo.” O nome verdadeiro de Davi Barros é Davi Ferreira Barros, mas ele age como Davi.

O fato é que a Unimep e o IEP estão em situações limítrofes nas quais nada mais é possível entender e das quais pouco se pode esperar a não ser a truculência, o desrespeito, a falta de leis e de diretrizes, uma linha de conduta que – até a chegada de Davi Barros e sua assembléia particular – foi irrepreensível e reta. Fica-se sem saber até mesmo como analisar os absurdos e as agressões que se não interrompem, que não cessam. Seriam questões de fanatismos doentios, seriam malandragens, ocultariam propósitos não revelados? A quem devem, professores e funcionários, se reportar: a Freud ou à Polícia? A Justiça se encheu de Davi Barros, a Polícia Federal já o advertiu, o Ministério da Educação lhe deu puxões de orelhas, ele sofreu derrotas vergonhosas e passou por vexames que ridicularizariam qualquer pessoa medianamente sensata, professores e alunos não confiam em sua administração nem em suas intenções. E a Unimep está entrando, a cada dia que passa, num processo de abatimento moral que chega próximo do final da resistência. Pois nada e ninguém resistem a tanta sangria moral, a um propósito tão férreo e decidido de destruição.

Pelo visto, não há mais, no IEP e na UNIMEP, uma verdadeira Igreja Metodista, como a que existiu em Piracicaba e na instituição até a gestão de Almir Maia e Gustavo Alvim, últimos baluartes de uma longa história. Agora, temos uma seita. A seita de Davi. Não é justo, nem honesto, nem constitucional e nem faz parte de um Estado secular e laico, manter privilégios de uma seita. Nem do chefe dos sectários.

Uma Igreja Metodista verdadeira, como a que existiu até aqui, não permitiria que, em nome da educação cristã, um reitor agisse com tanta crueldade pagã. Davi Barros levou a igreja para o mercado e, no mercado, vence o mais forte, não há caridade, não há solidariedade, não há humanismo. Aliás, parece estar nos evangelhos sempre tão citados que Cristo, vendo o templo transformar-se em mercado, expulsou os mercadores do lugar sagrado. A esperança é que surja, no seio da Igreja Metodista, alguém com essa consciência realmente honesta da dignidade e da responsabilidade cristãs. E que venha com a chibata da santa indignação. Pois o templo foi profanado de vez. Mas, mesmo assim, a Unimep e nem o Colégio Piracicabano são mercados. Mesmo que Davi queira.

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