Fala sério!

Os textos de diferentes autores publicados nesta seção não traduzem, necessariamente, a opinião do site. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

LICENÇA PARA O SILÊNCIO

A assessoria de imprensa do deputado federal suplente Mendes Thame emitiu nota à imprensa afirmando que o deputado não participou da votação no dia 22 de abril, quando foi votado o projeto da terceirização.  “O deputado não participou da mesma, pois estava de licença médica”, disse a nota, sem esclarecer se o deputado suplente é a favor ou contra o projeto. Como votaria caso estivesse presente no plenário da Câmara?

E QUAL É A POSIÇÃO?

É providencial dizer que não estava presente por motivo de doença e não dar publicamente sua posição. Afinal, Mendes Thame tem medo do quê? A informação publicada nesta coluna é clara e mostra que o deputado, presente ou não, votaria com seu partido, o PSDB, favoravelmente a este absurdo contra o trabalhador.

TERCEIRIZAÇÃO DA OPINIÃO

Até a publicação da nota da assessoria de imprensa do deputado suplente ninguém sabia por que ele não compareceu à votação. Vocês perceberam que quando é para tomar uma posição Thame não assume, pede para alguém fazer por ele, principalmente se for uma maldade. Terceirizar opinião pode?

PANELA MUDA

O cantor e compositor gaúcho Moraezinho, autor da música “Panela Velha”, consagrada na voz de Sérgio Reis, morreu na última quarta-feira, no Rio Grande do Sul, em decorrência de um infarto. Com tantas panelas sendo amassadas ultimamente, este poderia ser o hino dos que protestam sem saber por que estão fazendo barulho. Renan Calheiros, presidente do Senado, já embalou a frase da semana: “Panela não fala”. Olha, pode não falar, mas faz muito barulho! A frase de Renan pareceu uma premonição, já que as panelas se calaram no dia 1º de maio.

LIÇÃO DE DESRESPEITO

O PSDB perdeu totalmente a compostura. Além de bater panela, eles agora estão batendo em professor. Aliás, os policiais estavam com cassetetes, cães mordedores, gás de pimenta, balas de borracha e outros apetrechos “pacificadores”. Já os professores estavam armados com faixas, voz e vontade. Se utilizassem seu material de trabalho como arma – giz, cadernos, lápis, borracha, livros –, como seria o confronto com os policiais e os políticos que ordenaram os ataques? Certamente, a maioria dos “alunos” seria reprovada em ética, respeito humano, civilidade e educação cívica.

POR E OPOR

Porque a oposição não consegue emplacar no Brasil? Os últimos acontecimentos podem dar uma pista: em menos de um mês, os grupos que desejam “endireitar o Brasil” perderam o apoio dos professores das escolas públicas e dos trabalhadores que não querem a terceirização. Coincidência…

DE QUE GOVERNO?

O deputado estadual Roberto Morais deveria se filiar ao PMB – Partido do Muro Brasileiro. Ele vai a uma festa do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, que tem posição contraria ao projeto da terceirização, e dá uma declaração que não diz nada, além de omitir a maior reivindicação dos trabalhadores. Aliás, seu partido na Câmara Federal votou a favor da aprovação do projeto da terceirização. Em sua declaração, não entendi se ele está falando do governo federal ou do estadual. Vamos lembrar: Diante dos desmandos do governo, não temos muito o que comemorar. Porém, Piracicaba é uma cidade diferenciada, temos líderes que lutam pela classe”. Entenderam?

BAHIA CONTRADIZ O DEPUTADO

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, José Florêncio da Silva, o Bahia, afirmou: “No nosso setor, por exemplo, somente nos quatro primeiros meses deste ano, em Piracicaba, mais de 2.000 trabalhadores foram demitidos. O sindicato continua lutando por melhores condições de trabalho, maior segurança para o trabalhador, o fim do fator previdenciário, entre outros”. Bahia disse que o sindicato é contra o projeto de lei que prevê a terceirização dos trabalhadores. “Acreditamos (que a medida) irá reduzir o salário dos trabalhadores e o FGTS, e não haverá os mesmos benefícios.”

TRISTE ADEUS

O fim da coluna “Bom Dia” do jornalista Cecílio Elias Neto é muito triste, pois representa um divisor de águas na imprensa de Piracicaba. E mostra que o jornalismo crítico e inteligente está por um fio. Hoje, a imprensa prefere, com raras exceções, se subordinar ao poder pelos motivos que conhecemos e esconder a realidade, não permitindo que surjam pessoas com análise crítica, a favor ou contra. Em um dos parágrafos de seu último “Bom Dia”, Cecílio escreveu: “Não há mais sentido em análises apenas paroquiais, em críticas – por mais honestas sejam – a políticos locais, vereadores, prefeitos, deputados. Eles estão superados e não o percebem. Na verdade, fazem apenas o que sabem. E o que sabem é de uma pequenez entristecedora. Eles não mais representam ninguém e nada. E não o fazem porque a própria população – estarrecida, perplexa – também não sabe o que quer. Sabe, apenas, o que não quer. Estamos no vazio. Como e quem pode representar o vazio?”

O TRISTE ADEUS II

Por esses e outros motivos é que resolvi voltar a escrever em A TRIBUNA PIRACICABANA E A PROVINCIA. Não posso me omitir ao ver uma bela e importante cidade de nosso país entregue a uma mediocridade, que não enxerga além da Praça José Bonifácio. Sou o observador de uma cidade que já foi protagonista de transformação política e social mas que, infelizmente, no momento, é sinônimo de atraso cultural. A luta do Cecílio não foi em vão. Tenham todos um “Bom Dia”. E que Piracicaba consiga, entre um e outro amanhecer, acordar para um novo momento.

Fala Sério! é publicada toda quarta-feira no jornal Tribuna Piracicaba e

no site da Tribuna e de A Província. Também pode ser acessada pelo Facebook: Falaserio djalma lima

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