O jeitinho brasileiro

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gambiarra

O que é esse “jeitinho” que tanto falam e nos deixa com má fama no exterior?

É o jeitinho de burlar regras, de ignorar leis, é a falta de respeito ao próximo. O jeitinho brasileiro nada mais é do que a malandragem estabelecida.

Parar em vaga de idoso e deficiente, furar filas, pagar propinas, andar pelo acostamento, estacionar em garagens alheias, faltar de consultas médicas sem dar satisfação, arrumar atestado falso para não trabalhar e querer sempre se sair melhor do que os outros. É a péssima postura de levar vantagem em tudo como pregava a famosa Lei de Gerson nos anos setenta.

O engraçado é que todos condenam as falcatruas e a corrupção dos políticos, mas o que fazem, mesmo que em menor proporção, não deixa de ser algo igualmente condenável, pois lesam outros em benefício próprio.

O jeitinho brasileiro é ilícito e imoral. Temos centenas de exemplos, como no caso daquele caminhão que transitava com a caçamba levantada para que não vissem a placa e não fosse multado e acabou derrubando um viaduto e causando a morte de inocentes.

O jeitinho vive de troca de favores. Pessoas incapazes de subir na vida por suas qualidades e esforço, acabam galgando degraus sem merecimento, e as que tem capacidade, sucumbem porque não possuem padrinhos poderosos para as impulsionarem. A incompetência é premiada e o talento é desprezado, e o pior de tudo, é que o jeitinho brasileiro se aprende em casa, os pais dão o exemplo.

Vimos nos últimos dias o acidente que ocorreu em Cascavel, quando um menino de 11 anos teve o braço ferido por um tigre e precisou ser amputado. Não pretendo julgar ninguém, o pai já teve seu castigo da pior maneira possível, mas vejo pessoas querendo culpar o zoo, os seguranças, até o tigre passou a ser culpado, ele que nem era para estar ali, pois é um animal selvagem e deveria viver livre na selva, seu habitat natural. Existiam placas alertando que era perigoso e uma cerca protetora além da jaula. O menino, que com 11 anos já sabe ler, não só ignorou a placa como ainda pulou a cerca protetora. E deu no que deu… Se ele e o pai tivessem obedecido as regras nada disso teria acontecido.

No Brasil, quando acontece uma tragédia, sempre jogam a culpa em alguém, quando na verdade, se todos acatassem as leis e as regras, respeitassem o próximo, seria muito raro acontecer essas tragédias.

Todos sabem que é proibido construir nas encostas, mas constroem mesmo assim, sem alvará, sem licença, e quando chegam as chuvas e tudo vem morro abaixo, culpam a prefeitura.

Está mais do que na hora de acabar com esse comportamento deplorável, essa falta de educação, incivilidade, esse horroroso jeitinho brasileiro. Se existem leis, tem que ser cumpridas, se há regras, tem que ser obedecidas, e chega de culpar os outros pelos nossos próprios erros, falta de respeito e desobediência.

A mudança não virá dos governantes, dos políticos, da polícia, da escola, e nem dos professores. A mudança deve começar dentro de casa, com os pais colocando limites. Não espancando, nem agredindo, apenas educando e principalmente, dando exemplo. Como antigamente.

 

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