Barragem e hospital: falácias e demagogia

HidroviaOs maus políticos – e isso é uma tragicomédia nacional – vivem e sobrevivem a partir da indiferença e da falta de memória da população. Portanto, não adianta protestar contra eles, pois a primeira culpada e responsável é a própria população com os seus instrumentos institucionais também comprometidos. Mesmo inconscientemente – ou por alienação – todos são cúmplices desse festival de mentiras, de orgias administrativas, de artifícios demagógicos quando não apenas financeiramente interesseiros.

Duas obras – falaciosas, demagógicas, simples farsas eleitorais – são anunciadas à população há cerca de 30 anos: o hospital regional e a mirabolante construção da Barragem de Santa Maria, através da qual – apregoava-se ufanisticamente – Piracicaba seria o “Portal do Mercosul”. O malfadado hospital chegou a ter sua pedra fundamental lançada durante o cômico governo municipal do mal lembrado José Borghesi. Ele e o PMDB – contando com a presença de Orestes Quércia e de Luiz Antônio Fleury (quem se lembra dele?) – promoveram o festivo lançamento pré-eleitoral, em terreno doado – se não me falha a memória – por Dovílio Ometto. O hospital – aprovado e oficialmente lançado – estava na divisa de Piracicaba e Rio das Pedras. Depois das eleições, cadê ele? O gato comeu.

Ao final da administração dos tucanos – com farsas que começam a ser reveladas – anunciou-se, no grande festim de obras mal explicadas, o novo hospital regional, agora nas proximidades da Santa Rita. Bombas e rojões, comemorações, promessas milagrosas, euforias farsantes, enganações engenhosas, falácias inescrupulosas. A Prefeitura garantiu a construção e a manutenção do hospital, como que justificando a orgia financeira em torno de outras obras questionáveis. A dívida ficou para a continuação do tucanato. E o hospital? O gato também comeu. Agora, o governo estadual que cuide dele. A grande maioria apalermada dos piracicabanos parece adorar o exercício do masoquismo: “Me engane que eu gosto.”

A Barragem de Santa Maria é uma das mais espetaculares motivações demagógicas que os políticos desenvolveram e alimentaram. Venho acompanhando isso há cerca de 30 anos. Vezes sem conto perguntei, como jornalista,  a políticos – em especial a João Herrmann Neto, ACM Thame e Humberto de Campos – o que, afinal de contas, tal barragem traria de benefício à nossa região. O que seria transportado fluvialmente? Qual seria o custo daquela fantasia ou o desastre ambiental? Não me responderam nada convincente, a não ser louvar o porto de Artêmis (recuso-me a escrever Ártemis), o marco zero do Mercosul, o Portal do Mercosul.   Na campanha a prefeito, os marqueteiros de Humberto de Campos – um inocente útil que pagou caro por deixar sua honestidade ser explorada por inescrupulosos – fizeram-no passear de lancha em Santa Maria da Serra, anunciando: “Serão gerados 100 mil empregos.” E cadê? O gato comeu e, agora, parece querer  regurgitar.

Essa barragem está, desde o seu início,  envolvida em graves suspeitas. O projeto inicial foi feito pelo escritório do falecido Sérgio Motta, fiel escudeiro, tesoureiro e homem forte de Fernando Henrique. Quando Motta foi para o governo federal, o escritório ficou a cargo do seu vice-presidente, ex-professor da Unimep. Vi o projeto, algo monumental que foi também monumentalmente pago pelo governo do Estado. Faltavam “apenas”, para iniciar as obras, os “50 milhões de reais” que, segundo o escritório, estavam sendo reivindicados, então, pelo deputado Thame.

Ou Piracicaba aceita ser tratada como uma cidade de otários – ou de coniventes – ou, então, atende ao apelo dessa juventude saturada de mentiras e de falácias da quase totalidade dos nossos homens públicos: “Reaja Piracicaba” . Se não o fizer, continuaremos recebendo, do governo, mais e mais penitenciárias. E, com isso, a fomentação da violência, dos crimes e da insegurança. Por aqui, administrar é construir presídios. Bom dia.

4 comentários

  1. Antonio Carlos Danelon em 08/11/2013 às 18:24

    Bravo, Cecílio. Bravíssimo!Essa gente faz que sabe. Sabem nada além de seus interesses.

    • Adele françoso em 18/11/2013 às 20:11

      Sr. Cecílio
      Fazemos muito esforço para ler, ouvir tantas bobagens vindas desses políticos, já “deletados” por mim, já há muito tempo. Do ministério, governo estadual, municipal, ambientalistas, enfim… Não existe um homem “honrado” com vóz, e atitude firme em decisões que acho eu,
      gastam-se tantos recursos públicos em seminários, encontros, estudos e o escambal, para mostrar que estão preocupados com a sociedade, levando de trinta a quarenta anos, enfiando na cabeça de muitos, que hospital regional, barragem e outras tantos, é coisa séria.
      Sabe Sr. Cecílio, temos culpa nisso sim, votamos em ladrão prá virar políticos!
      Enquanto isso, diga-se de passagem, onde está o licenciamento para a barragem??? Percebeu que não falam de Artemis? E a marinha, toda poderosa, enfadonha, em falar da não navegabilidade do rio? e, exige tanta coisa quando na época de Passeio de Barcos pelo rio… ah, ah,ah. Faz me rir.
      Um grande abraço! continue sustentando esses repúdios, que é o grito nosso caldo, nossa vóz, nosso representante através dessa belíssima informação eletrônica. Parabéeeeeeeeeeeeens!

      Adele Françoso

  2. Jairo Teixeira Mendes Abrahão em 09/11/2013 às 17:05

    Olá, amigo Cecilio.
    Como é bom ver gente esclarecida escrever sobre os políticos enganadores de Piracicaba! Você é um verdadeiro relicário de tais enganações! ACM Thame! Seria ele o Antonio Carlos Mendes, Deputado Federal do PSDB/SP presente na famigerada “Lista de Furnas”??? Como é que piracicabanos continuam votando, maciçamente, em nomes como Serra, Alkmin , Thame, Barjas e que tais???
    Obrigado pela excelente crônica.
    Jairo.

  3. Antonio Prando Filho em 11/11/2013 às 14:49

    Sou um piracicaba / bairrista. Tenho comigo que tudo começou mau politicamente, quando os cariocas usurparam o título de ” Cidade Maravilhosa ” daqui de nossa Noiva da Colina. Faltaram aí já as manifestações. Piracicaba, linda apesar de políticos de A a Z que a dominam. Seria essa como muitas outras das cidades brasileiras; em especial as do sudeste e sul primeiríssimo mundo de aqui existissem políticos coniventes com as necessidades do povo, do município. Porém esses politiqueiros lembram apenas de seus umbigos e próximo da festa das eleições ( engana bobo ), aparecerem e novamente recontam a mesma mentira, que de tanto contada esperam os políticos que se tornem verdade, assim como pensam talvez que sejam deuses antes e depois de eleitos .

    Toninho Prando

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