Nobel acua Obama

Ventos que sopram parecem dar razão a esotéricos que anunciam a chega da Era de Aquário, que seria de paz e harmonia no mundo. A cada vendaval – incluindo avalanchas morais – que assola a humanidade, surgem sinais de esperança, alguns deles inesperados. E não há como deixar de sentir e de perceber que há, sim, algo novo no ar, apesar de escândalos, de tragédias, de terrorismos, de guerras. É como se, cansados de tantas misérias, os povos começassem a buscar o caminho de retornos, de reinícios ou de despedidas de um tempo de horrores.

A concessão do Prêmio Nobel da Paz para o presidente Barack Obama apanha o mundo de surpresa, mas, também, despertando reações e sentimentos mais de expectativas do que de euforia. Na realidade, Barack Obama não teve, ainda, tempo para afirmar e reafirmar sua liderança, muito menos de levar a cabo quase todos os seus propósitos e promessas que encantaram o mundo. Para Obama, o mundo – até mais do que os próprios Estados Unidos – deu um espetacular voto de confiança que, na realidade, revelou o cansaço com a atualidade e a esperança no novo, que, aliás, é sempre antigo.

Na realidade, Barack Obama recebe o Prêmio Nobel da Paz muito mais por suas intenções do que por realizações, ainda que sua ação política já se faça sentir no mundo, apesar de guerras, conflitos e desentendimentos globais. Ele tem sido um inspirador da paz mundial, em evidente contraste ao espírito belicoso de caubói texano de seu antecessor, George W.Bush de tão triste memória. Se pouco ainda alcançou, se pouco ainda realizou, não há negar que Obama conseguiu que grande parte do mundo voltasse a olhar os Estados Unidos com olhos menos desconfiados, dada a “pax americana” que foi imposta às nações discordantes deste o advento da Era Reagan. O isolacionismo dos Estados Unidos foi responsável por fragmentações mundiais que provocaram ódios, xenofobias, fanatismos religiosos, étnicos e ideológicos. Obama apenas começou a desmontar uma odiosa máquina de petulâncias e de prepotência que se azeitou ainda mais com George W.Bush.

O prêmio foi dado e não se trata, agora, de saber ou de discutir se Barack Obama o mereceu ou não, se foi decisão precipitada ou apenas política. O fundamental está no simbolismo e na responsabilidade ainda maior que, a partir de agora, recai sobre os ombros do jovem presidente estadunidense. Agraciado com o Nobel da Paz, Obama tem a grave responsabilidade de ser o guardião da paz, honrando o título que mereceu e, como governante, sendo fiel às propostas que fez e que faz ao mundo. Há, porém, um grave problema que nos é trazido desde os coríntios e o império romano: si vis pacem, para bellum. (se queres a paz, prepara-te para a guerra)

A honrosa conquista do Prêmio Nobel da Paz não tem o condão de levar Barack Obama, como num passe de mágica, a interromper ações beligerantes que ocorrem em várias áreas do mundo, especialmente em regiões sensíveis como Paquistão, Afeganistão, Iraque, Coréia do Norte, Irã. A força, como poder de dissuasão, é componente essencial para a paz. O Nobel acua Barack Obama. Mas são ventos novos que bem podem – por que não? – dar razão aos anunciadores da Era de Aquário. Bom dia.

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