Política, futebol e religião

Nunca entendi a antiqüíssima afirmação de que “política, religião e futebol não se discutem”. Mas e por que não? Pois, na realidade, discussão nada mais é do que troca de idéias, análise delas em busca de um consenso. Se há pontos de vista divergentes ou diferentes, por que não discuti-los, com argumentos honestos, verdadeiros? Discutir não é brigar. Pelo contrário, a discussão implica respeito entre as pessoas, pois é a troca de idéias nem sempre convergentes. Nada, pois, mais democrático e salutar do que uma boa e honesta discussão.

No entanto, se admito se discutam política, futebol e religião, estou plenamente convencido da absoluta inutilidade de tais discussões. Pois se trata, quase sempre, de uma conversa entre surdos ou entre pessoas congeladas emocional e intelectualmente por idéias fixas, pétreas, conceitos inabaláveis e, acima de tudo, por paixões. Futebol, política e religião se revelam acima de qualquer argumentação racional. As pessoas são porque são, acreditam porque acreditam, sem admitir mudanças, alterações, revisões de pontos de vista. A paixão domina a razão.

Por outro lado, há o grave e cada vez mais dramático problema da má informação. Que é pior do que a desinformação. Pois o mal-informado caminha por espaços tortuosos, sendo levado a finais e a conclusões equivocadas que, conforme a natureza delas, podem ser trágicas. Se o desinformado se deixa enganar pela desinformação, o mal informado age a partir de informações erradas ou de má fé. Houvesse diálogo e discussão, muita coisa seria revista e novos sensos poderiam surgir. Mas se é a paixão que move, qualquer argumento, qualquer prova, qualquer evidência se tornam absolutamente inúteis.

O problema da má informação está na má fé que pode animar o informante. No caso da imprensa, está cada vez mais evidente a má fé em relação já não sei mais se à pessoa do Presidente Lula, se ao governo, se ao PT. E essa se manifesta mais uma vez agora, diante do sucesso retumbante do Brasil no universo econômico, quando o País é declarado, em meio à crise mundial, o lugar seguro para investimentos internacionais. Falou-se disso quase que como nota de rodapé, ou minimizando a importância ou desviando a questão para outras áreas.

E os resultados últimos do IBOPE, dando, ao presidente Lula, 81% de aprovação do povo brasileiro? Em vez de se enfatizar esse fenômeno de popularidade que mostra, antes de mais nada, a confiança do povo em seu presidente e no Brasil, a ênfase foi dada ao fato de José Serra ter, ainda, a preferência do eleitorado para a sucessão de 2010, com frágeis, digamos honestamente, 34% de intenções de votos. Destaques há para candidaturas de opereta, como as de Marina Silva e Heloísa Helena, buscando fragilizar tanto Ciro Gomes quanto Dilma Roussef.

É inútil, pois, discutir, argumentar e dialogar a respeito de política quando a passionalidade cega os interlocutores ou quando interesses nem sempre claros – como esses de uma imprensa realmente comprometida – estão à vista. O sucesso do governo Lula é de reconhecimento mundial, o que a chamada grande imprensa brasileira finge ignorar, como se pudesse tapar o sol com a peneira. E os êxitos de seu governo estão em nosso cotidiano, com o país consolidando-se, com a classe média fortalecendo-se com a ascensão de novos contingentes, com um desenvolvimento que deveria causar orgulho e empolgação em todos, não fosse a paixão cega, os interesses menores e a visão míope dos que se recusam a ver.

Como em religião e no futebol, política não deve mesmo ser discutida. Porque é inútil. Veja-se o Kaká, ídolo mundial de futebol. Mesmo depois das malandragens reveladas dos chefes da sua igreja, a Renascer, Kaká mantém sua fidelidade viva, não admitindo nem mesmo as provas de delitos financeiros. Em relação a Lula, acontece o mesmo. Recebeu um dos mais honrosos prêmios criados nos Estados Unidos, o “Woodrow Wilson”, mais uma honraria internacional. A notícia é num canto de jornal. O efeito bumerangue começa a acontecer: quanto mais a grande imprensa distorce fatos ou os sonega, mais o respeito a Lula e a sua popularidade crescem.

É uma pena haver tanta paixão e tanta cegueira. Pois o Brasil, nunca como agora, precisa da união de seu povo para se consolidar, de vez, como potência mundial, o que nos dará a grande oportunidade de nos transformarmos numa nação mais justa e digna, apesar da classe política, com tão poucas exceções. Bom dia.

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