Presídio e gota d´água

picture (15)Mais do que ingenuidade, é tolice admitir, hoje, que presídios sejam espaços correcionais. Têm sido e aprimoram-se como verdadeiras escolas de criminalidade, pois o pretenso processo de reeducação transformou casas correcionais e penitenciárias em lugares de exclusão e, também, de penalidade, nada mais do que isso. De presídios de segurança máxima e de falsas casas correcionais, surgiram organizações criminosas que afrontam o Estado e que o desafiam, com lideranças que constituíram verdadeiros partidos políticos do crime organizado.

A reação do prefeito Barjas Negri, justificando o tapa na cara que nos foi dado, quando o Governo Serra nos castiga com um novo presídio, beira o cinismo. Contrariando os que se opõem a esse presente de grego e a essa ofensa à coletividade, s.sa. pergunta se querem, os opositores, que mandem os bandidos para a Lua. Não, sr.prefeito, não precisa mandá-los para a Lua, mas não podemos querê-los em Piracicaba pois os frutos de um presídio em nossos limites são péssimos e podem se tornar incontroláveis.

Não bastasse a agressão ao ambiente – comprometendo em definitivo um dos espaços naturais mais belos do município – teremos, se a reação não for forte e corajosa, conseqüências insustentáveis. Serão cerca de 800 presidiários de alta periculosidade, pois com penas graves a serem cumpridas. Aos fins de semana, estarão recebendo multidões de parentes, amigos, amantes, para visitas íntimas e visitas familiares, além de contatos que, já se sabe, de alto teor organizacional. Em todos os presídios brasileiros, não se têm impedido o tráfico de drogas, de armas, as orientações para aprimorar ou acelerar o crime organizado. E Piracicaba será apenas mais um ponto nessa malha de corrupção e de malefícios cada vez mais sofisticada.

Ora, estamos vendo, passiva a acovardadamente, paradoxos que permitem a população seja considerada idiota: aumentam-se os condomínios aceleradamente, na afirmação do fracasso do Estado e da sociedade em relação à segurança das pessoas e das famílias. Ou seja: as famílias se aprisionam para tentar evitar a ação dos bandidos. E o governo do Estado, em aliança com a Prefeitura e políticos locais, traz um foco de bandidagem para coexistir e conviver com as famílias que se protegem da inoperância do Estado. Será divertidíssimo comparar: de um lado do rio, em Monte Alegre, um condomínio espetacular, prometedor de paz e segurança; à margem esquerda, a vizinhança contraditória: uma cadeia, uma unidade da FEBEM e, em breve, uma penitenciária. O medo já está instalado.

A Câmara de Vereadores – que está na berlinda, diante de últimos acontecimentos – não pode, desta vez, silenciar, pois provocará uma reação coletiva que poderá ser incontrolável. Afinal de contas, o copo de tolerância do povo começa a transbordar. Indiferença e privilégio de vereadores ameaçavam ser a gota d´água. Se houver silêncio e conivência diante dessa bofetada que prefeito e governador dão a Piracicaba, o copo irá transbordar, que ninguém duvide. A paciência da população chegou ao fim. Pois se trata de um desrespeito que conta com a conveniência de nossos representantes que têm grande influência junto ao governo: os deputados Roberto Moraes, da frente governista na Assembléia, Antônio CArlos Mendes Thame, como líder do PSDB em São Paulo, além do prefeito, da copa e cozinha do governador. Se eles permitem a bofetada, esperar mais o quê de quem? E bom dia.

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