Ser mãe nos nossos tempos

MãeUm homem jamais saberá o que é ser mãe. Nem sequer consegue avaliar. Por isso mesmo, sente uma certa inveja da mulher que gera um filho. No fundo dele mesmo,do homem, ele desejaria gestar um filho sem, no entanto, carregá-lo no ventre e, depois, dá-lo à luz. Dor do parto? Jamais! Por isso, amor de pai para filho é tão menos arraigado, ainda que também profundo. Ele foi o fecundador. A mulher gestou e gerou a vida. O machismo não seria, então, uma vingança contra esse dom feminino de ser mãe?

Rendo graças por eu não ser pai de crianças nos tempos atuais. Pois sinto que ficaria perdido ao educá-las, tantas as contradições, tantos os valores confusos, tal a falta de diretriz. Educa-se uma criança, hoje, para ela ser um futuro cidadão decente, honesto, culto, ou apenas, para ser um adulto esperto.? Para valorizar e viver a vida em plenitude – no que há de belo nela mesma e no mundo – com a compreensão do dom de viver, ou para ganhar dinheiro, enganar os outros, ter coisas, ser um bom consumidor?

E a mãe, como é ser mãe em nossos tempos? Confesso que, também sobre isso, ando aturdido. Sei a mãe que tive, sei a mãe que meus filhos tiveram. Embora de gerações diferentes, foram mulheres que souberam estabelecer uma escala de prioridades. E, no vértice, no cimo da pirâmide, estavam os filhos. As crianças destas últimas gerações que degrau ocupam na lista de prioridades de suas mamães? Jamais perguntarei a elas, mesmo porque tenho medo das respostas.

A cegueira dos tempos dessacralizados pelo materialismo universal – a que, enganosamente, se deu o nome de globalização, eufemismo para domínio econômico – parece levar à certeza de que todos os valores antigos foram destruídos, por serem superados. Mais do que ledo, é perigoso engano. Raízes ficam escondidas, como que para enganar os que pensam tenham, elas, morrido. De repente, voltam a surgir em brotos novos, rompendo entulhos que as sufocavam. Algumas morrem, é verdade. Mas muitas outras ficam apenas escondidas, como se recolhidas no inverno dos tempos. De repente, aparecem ressurgidas em nova primavera. Assim acontece com os princípios humanos. Se morrem, morrem sociedades e o homem. Mas se apenas estão sufocados, retornam. A isso se chama “eterno retorno”.

Mais do que uma discussão, penso haver desculpas tentando justificar o falso dilema: o lar ou a carreira; os filhos ou a profissão? Ora, mulheres trabalharam toda a vida, em todos os tempos. Mas sem terceirizar os filhos ou os maridos. A profissão de uma mulher, hoje, é um valor que precisa ser resguardado e estimulado. No entanto, nada – nenhuma carreira, nenhuma profissão, nenhuma fortuna – pode confrontar-se com a função primordial, essencial: a de mãe. E é estupidez – ou simples falácia argumentativa – dizer que o mundo criou um novo modelo de mãe. Só há um modelo de mãe: a cuidadora, a protetora, a educadora dos filhos.

Já ouvi mulheres vitoriosas em suas profissões que, tendo chegado à aposentadoria, se perguntam talvez tardiamente: “Valeu a pena? Não vi meus filhos crescerem, não fiz deles prioridade principal de minha vida. Agora, eles foram-se embora, aposentei-me e aqui estou, sem trabalho e sem filhos.”

Dou-me o direito de, neste Dia das Mães, divulgar aqui uma reflexão que reproduzi em minha coluna no Correio Popular de Campinas, ainda na sexta-feira. Fui buscá-la num dos mais celebrados pensadores do século passado – ainda que, hoje, quase esquecido – o profético Nicolau Berdiaeff. Ele previu: “Numa sociedade futura, a mulher desempenhará um importante papel. Ela está mais ligada do que o homem à alma do mundo.” Mas enfatiza: “As mulheres estão predestinadas a ser, como no Evangelho, as portadoras de essências odoríferas. Mas não será a mulher emancipada, nem aquela que se tornar semelhante ao homem, a que terá um importante papel a desempenhar no período futuro da história. E, sim, o eterno feminino.”

Ser mãe é manter vivo o “eterno feminino”. Eis o desafio da maternidade nestes tempos confusos. Bom dia.

1 comentário

  1. Marisa Bueloni em 26/05/2013 às 22:08

    Ser mãe, hoje, se tornou o maior dos desafios!
    Deus Pai!…
    Lidar com a tecnologia de hoje e ensinar sobre tudo isso a um filho!…
    Que responsabilidade!
    Os tempos mudaram, meu amigo.
    E ser mãe hoje é padecer num i-paraíso…
    Abração da Marisa

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