Basófias democráticas.

Nada tem sido mais útil à tirania econômica neoliberal do que o culto a falsos conceitos democráticos, a distorcidas e convenientes definições de democracia. De qual democracia falam economistas do neoliberalismo, políticos do pensamento único, grupos de poder encastelados no vértice dos conglomerados internacionais? Pois valores democráticos, nos últimos tempos, são os que convêm aos mais fortes. Ao povo, como desde os romanos, cedem-se pão e circo. Ou a realidade do espetáculo, no chamado universo da globalização, o que seria senão o pão mínimo e o circo máximo que se oferece ao povo, como novo ópio do povo?

Ora, tudo o que fuja à órbita do poderio estadunidense deixa de ser democrático, pois o império determina o que sejam liberdade e autonomia, essas noções flexíveis diante dos interesses do poder. Para o governo dos EUA, a “razão de Estado” supera todas as demais razões, incluindo as do que se chama, para eles próprios, democracia. São, ainda, os gendarmes do mundo ocidental, ditando ordens e pregando lições tolas de quem continua, ainda, olhando para o próprio umbigo, na mais trágica e desastrada das visões de política internacional que se conhece. A democracia, ao modelo dos EUA, interessa apenas aos Estados Unidos. Ou melhor: aos conglomerados empresariais, pois o povo estadunidense sabe como viver e comportar-se acima e além de seus governos passageiros.

Israel pode ter poderia nuclear, a bomba atômica; Irã e Coréia do Norte, não. O Paquistão pode ter governo forte, personalista; a Venezuela, não. A China pode ser uma ditadura comunista que isso não influi nas relações internacionais em nível econômico; mas Cuba, não. O farisaísmo se tornou caricato, de tão usado e abusado.

Isso, para dizer, do comportamento vergonhoso de grande parte da imprensa brasileira que se rege como que por uma cartilha do tucanato nacional e do liberalismo internacional. As farsas e as falácias são ofensivas à inteligência do homem médio, da mesma forma como são ofensivos – em nível de Piracicaba – manifestações de jornalistas, de intelectuais, dos ditos “colaboradores de jornais” diante do que chamam de corrupção nacional, de ditadura internacional, quando não enxergam e nem cheiram o que acontece em nossa cidade. A corrupção está solta em Piracicaba. E as mentiras, também . Mas isso parece não ter importância aos chamados intelectuais analistas, mas preocupados com grosserias de Hugo Chavez ou com a ditadura cubana. Ora, por que não penteiam macacos, se não têm o que fazer? Como falar do cisco no olho do vizinho, quando há traves em nossos olhos?

Houve tempo em que a política brasileira foi ditada por uma lei ignóbil: “o que interessa aos Estados Unidos interessa ao Brasil.” Esse tempo passou e parece que nem Fernando Henrique sabe disso. O Brasil – goste-se ou não de Lula – começa, firmemente, a caminhar com suas própria pernas. E a escolha democrática tem que ser nossa, democracia conforme a história, a formação do povo, a consciência coletiva do Brasil.

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