Grandeza de uns, pequenez de outros

O livro – da jornalista Beatriz Vicentini Elias – entregue a Piracicaba não deve ser lido e analisado apenas como o relato da vida e da trajetória dessa personalidade extraordinária que é Almir de Souza Maia. Precisaria ser estudado e revisto por todos quantos – especialmente no interior da Igreja Metodista – acompanham a sistemática e programada destruição da UNIMEP como instituição universitária e autônoma.

A oportuna pergunta que o ex-reitor Elias Boaventura fez em artigo recente – “por que a cúpula metodista quer castigar a UNIMEP” – está respondida no livro, numa recuperação histórica de que Piracicaba deveria tomar conhecimento.Pois é parte também da história de nossa terra, de nossa gente, que derramou suor e lágrimas para ajudar a construir a universidade que muitos metodistas se negaram a prestigiar. E que, agora, começam a destruir.

Não se trata, mais, apenas do lançamento de um livro, por mais importante e brilhante seja ele, antecipadamente respeitado dada a credibilidade da pesquisadora e jornalista que o escreveu. Trata-se, agora, da consagração a um homem público, de uma celebração e de um reconhecimento à caminhada honrada e dedicada ao sacerdócio da educação, que tem sido a vida de Almir de Souza Maia. E essa consagração – por menos alguns queiram se referir a esse aspecto – é uma reparação moral às graves injustiças de que Almir de Souza Maia e seus companheiros têm sido vitimas por parte dessa cúpula da Igreja Metodista que colocou a triste figura de Davi Barros como seu representante e porta-voz.

A consagração a Almir de Souza Maia – que será prestigiado com a presença de reitores e de ex-reitores do Brasil, do México, de personalidades honoráveis – pode não salvar a UNIMEP da tragédia a que tem sido levada pela desconstrução impiedosa de tudo o que foi erguido até aqui de digno, de decente, de verdadeiramente cristão, na linha do metodismo sério. Mas, historicamente, valerá como o reconhecimento a Almir de Souza Maia por sua trajetória de vida, que é um paradigma de lealdade, de dignidade, de retidão, de fidelidade a princípios verdadeiramente cristãos conforme o pensamento e a visão de Wesley.

A consagração a Almir de Souza Maia é inversamente proporcional ao desprezo crescente que a comunidade universitária, de alunos e de docentes, e a Piracicaba conhecedora dessa história sentem pela atual direção do IEP e UNIMEP. Mesmo porque a instituição vai-se tornando, cada dia que passa, mais caso de Justiça e de Polícia do que de igreja e de educação. É a roda da história: grandeza de uns, pequenez de outros. Assombroso é constatar que a cúpula diretiva dos metodistas não consegue diferenciar joio do trigo. Ou não quer.

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