Hora e vez da Polícia.

Parece que, aos poucos, vai-se recuperando a credibilidade de algumas instituições que, no passado, receberam o respeito e até mesmo o carinho da comunidade. O povo brasileiro acreditou nas instituições. Por incrível que pareça, até mesmo nos anos sombrios da ditadura. A falência, por mais incrível ainda seja, começou com a redemocratização, a retomada, o reinício. Aconteceu o mesmo na Rússia, com a extinção da União Soviética: corrupção e desrespeito misturaram-se.

Houve tempo em que, ao contrário da música de Chico Buarque, chamava-se a polícia, não sendo preciso chamar o ladrão. Em Piracicaba, não há quem, em idade mais avançada, não se lembre de Cabo Júlio, do Cabo Trevisan, de delegados e juízes que eram sustentáculos da ordem e do direito. A lassidão moral que atingiu também o povo permitiu a ascensão de toda a sorte de aventureirismos, também nas instituições. Há alguns anos, não se sabia, por exemplo, qual era a diferença, em nível de confiabilidade, entre a polícia e os bandidos. Agora, a reação já se revela promissora.

Tudo começou, certamente, com o chamado “novo-Ministério Público”. Jovens promotores de justiça mostraram a sua indignação e cumpriam, com maestria, o papel de defensores do povo. Em seguida -e seria má fé não se louvar o governo Lula – a Polícia Federal, que se tornou um símbolo de confiabilidade para o povo brasileiro. Há, finalmente, ladrões de casaca na cadeia. Prenderam-se juízes, promotores, delegados, políticos, banqueiros. E há sinais, agora, também na Polícia Civil, diante do desafio desmoralizando de Marcola e sua quadrilha, com o PCC tentando impor-se como um outro Estado.

Essa vitória esmagadora de Lula tem sinais óbvios que não podem ser minimizados, especialmente pela falsa intelectualidade que dissemina muito mais preconceitos do que conceitos. A resposta nacional foi a de haver, ainda, crença e esperança. E isso começa a partir do primado da lei e do direito. Há que se lembrar: nos Estados Unidos, ao tempo do imenso poderio da máfia, foi um promotor, Eliot Ness, quem deu a grande virada, fazendo valer a lei e, com isso, conseguindo o fundamental para a sobrevivência de qualquer democracia: o apoio e o respeito do povo.

É a hora e a vez da Polícia.

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