O calote de Davi.

Estava previsto e, antes de Davi Barros o revelar, já o tínhamos divulgado em nossas colunas: viria o calote do interventor da Unimep em relação a funcionários que – queira ou não, ele, interventor – trabalharam, cumpriram seus deveres e nada têm a ver com as profissões de fé da Igreja Metodista. Pois a crise da Unimep não é crise da universidade, ainda que esteja inserida na brincadeira e na farra educacionais iniciadas ainda ano primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. A crise é da Igreja Metodista, dividida, no Brasil, entre os pentecostalistas que buscam o futuro reino de Deus nos céus, mas com dinheiro do já e do agora, e os discípulos de Wesley que acreditam no divino para plenificar o humano: “Ir e ensinar”.

Ora, Davi Barros não tem proposta alguma para a Unimep de Piracicaba, senão a de colocá-la em liquidação e, então, permitir que ela concorra com colégios e centros universitários do mercado, da mesma forma como existem igrejas e seitas do mercado que o patrocinam. Davi Barros está movido pela fé, não pela ciência. Mas a questão é que essa fé do Davi é variável, “piuma al vento”, conforme o espírito de plantão lhe ordene. Basta ordenar, Davi vai e cumpre. Agora,está cumprindo o que um Conselho Diretor – inspirado pelo sucesso de um presidente especialista em venda de seguros em grupo, mas a grupos evangélicos – lhe dita. A ciência, a universidade, o pensamento, o conhecimento, nada disso importa a Davi Barros: ele está tomado pelo espírito. E o espírito é do mercado.

Com a maior desfaçatez, ele decide como e a quem pagar, como se estivéssemos num lugar e numa terra sem leis. A Igreja Universal faz e fez isso. A igreja Renascer faz e fez isso. É desesperador, lastimável, doloroso constatar que, em Piracicaba, a igreja de Martha Watts esteja fazendo também isso, a partir de Davi, o executor de ordens. E, agora, executor e caloteiro. Mesmo que em nome de Deus, Davi Barros passa a ser caloteiro.

E dá o direito, aos alunos da Unimep, a lhe darem também o calote. A haver calote em toda e qualquer relação dessa grande instituição que, agora, passa, realmente, a ser a “escolinha do Davi.” Como, na tevê, foi a do Golias, o Ronald. E do Chico Anísio.

Davi Barros é um convicto. Ele tem certeza do que faz. Dar o calote é, para ele, um ato de justiça. E colocar Jonas, no lugar de Amós, uma questão banal. Mas essa história, de Amós e Jonas, é outra história. A de um calote ainda maior. Já pedimos que a assessoria de Davi nos informe. Nem Freud imaginaria algo igual. E nem a devoradora mitologia grega criaria tanta promiscuidade.

De pamonheiro na infância, a caloteiro na velhice, a jornada de Davi Barros nada teve de herói. Campbell explica.

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