O problema não é a greve.

Se a Igreja Metodista não voltar a honrar o seu passado em Piracicaba, não há mais dúvidas de que a Unimep chegou ao fim, não apenas como uma universidade, mas como um patrimônio moral e cultural de nossa terra. Davi Barros e o grupo de fundamentalistas que o cerca não entendem disso, como se a riqueza espiritual os incomodasse, algo estranho a um universo de materialismos e apetites não revelados.

O documento que Davi Barros tornou público é um primor de eufemismos e de desrespeito também à opinião pública. Pois Davi Barros simplesmente tenta falsear o fundamento da grave questão, transformando-a, para interesse seu e de seu grupo, como que em uma luta de classes, de “professores contra reitor”. Não é. A greve dos professores, seguida pela greve dos alunos, não foi causa, mas fim. Não foi motivo, mas conseqüência. Foi posto em jogo, com a chegada de Davi Barros e da cúpula fundamentalista da Igreja, todo um patrimônio moral e cultural, um ideal de universidade, um propósito educacional, um tesouro de seriedade acadêmica. Nada disso interessa, pois o importante é “dar lucro”.

Ora, ninguém defende instituições com prejuízos. Mas as universidades confessionais, também filantrópicas, apenas têm razão de ser e de existir se tiverem, como proposta, um ensino diferenciado, uma educação enobrecida por princípios e valores não apenas agregados ao mercado. Davi Barros destruiu toda uma estrutura, colegiados, rompendo estatutos, nada mais fazendo do que dar espaços a pessoas de seus grupos, trocando a seriedade acadêmica pela mediocridade e, agora, tentando mistificar a opinião pública.

O que está em jogo são a honra, a história, o significado, o conteúdo, o patrimônio da Unimep como instituição. Se a Igreja Metodista, agora por vozes medíocres e infelizmente despreparadas, não se dá conta de estar permitindo se destrua tal patrimônio moral, não sabemos qual a proposta moral que essa mesma Igreja poderá oferecer pelo menos aos piracicabanos, que fomos agraciados com o metodismo sério, altivo, decente e idealístico de Martha Watts e de Maria Renotte, semente da Unimep, que foi, até a chegada de Davi Barros, uma universidade digna.

O problema não é a greve dos professores. Nem a dos alunos. O problema é a dignidade da Unimep que está sendo aviltada por Davi Barros e seu grupo. Essa universidade, que Davi Barros e os fundamentalistas propõem, não dignifica nada e ninguém. Se a greve não for considerada pela justiça, mesmo assim ela ficará na história como a bravura de homens que lutaram pela dignidade de uma instituição que parece não ser mais dimensionada nem mesmo pela Igreja Metodista, que não se sabe mais se é mantenedora, se é usufrutuária dela. Afinal de contas, a grande questão está sendo desviada: e aluguéis, condomínios, serviços, verbas destinadas à Igreja Metodista?

A Unimep, com Davi Barros, já é caso de polícia. E, inevitavelmente, ele está levando a Igreja Metodista também a ser alvo de inquéritos policiais. Essa é a questão, essa é a causa. Não a greve. Mas, quando se perde a dimensão da nobreza, tudo passa a valer.

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