Para inglês ver

Quando se quer enganar otários, diz-se que a providência tomada foi “para inglês ver”. Aconteceu no Brasil, na regência de Feijó, quando se baixou a lei malandra fingindo proibir o tráfico negreiro. Fora imposição dos ingleses. E, fingindo aceitá-la, o governo imperial baixou a lei de araque, “lei para inglês ver”.

O interventor da Unimep, Davi Ferreira Barros, se tornou especialista em baixar ordens, criar documentos, tomar providências apenas “para inglês ver”, como se todos fossem otários, especialmente – e quem sabe? – uma cúpula da Igreja Metodista que se satisfaz com quireras mercantilistas, como um Conselho Diretor que é manobrável conforme as promessas de cada dia. Uma viagem à Alemanha, por exemplo, é sempre amaciante, especialmente quando medidas são tomadas para “inglês ver”.

Davi Barros não caiu, ainda, não porque seja teimoso ou saiba o que está fazendo, pois se tornou delirante como biruta solta ao vento, cada dia girando para um lado. Davi Barros não caiu porque a luta interna da Igreja Metodista é tal que a queda dele representa, também, a queda dos pentecostalistas que pretendem a mediocrização da universidade a partir de princípios mercantilistas, a tal igreja de mercado contra a qual já se levantara do bispo metodista Adriel Maia.

Para o início das aulas e com a pressão da Justiça, Davi Barros levantou dinheiro em banco para pagar os compromissos trabalhistas atrasados. E – “helás!” – também as tais dívidas para com a Igreja Metodista, em forma de aluguéis, condomínios e outros sofismas que ocultam, na verdade, irregularidades que levarão, inevitavelmente, a Unimep a perder o título de instituição filantrópica. Mais ainda: que poderão levar a Igreja Metodista ao banco dos réus por delitos que o Brasil já conhece como os de colarinho branco. Essa a grande amargura dos velhos e respeitáveis líderes do antigo e nobre Metodismo: temer que a notável instituição passe a ser notícia freqüente de notas policiais. Mesmo porque, não à toa, Davi Barros já foi chamado pela Polícia Federal.

Quem são os otários nessa história toda, em mais uma jogada manhosa de Davi Barros? Ele joga “para inglês ver”, mas qual inglês? Ao que tudo indica, Davi Barros está ganhando tempo apenas para acalmar os ânimos mais exaltados de um grupo medíocre que o levou ao poder. Quando medíocres elegem medíocres, tudo o que fazem é “para inglês ver”. Piracicaba e os professores da Unimep não pertencem, certamente, a essa tal categoria de otários.

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