Por quem chora Lineu?

O economista Lineu Carlos Mafezzoli é um dos mais antigos ex-alunos e professores da Unimep, autêntico ícone daquela universidade e dos corpos discente e docente. Não lhe bastassem a reconhecida competência e o talento reconhecido nacionalmente – o prof.Lineu é, entre outros títulos, também diretor de Economia na Puc/Campinas – a caminhada de Mafezzoli tem sido marcada pela valentia, pela coragem e, acima de tudo, por um rigor ideológico transformador. A história da Unimep passa também por ele, nas grandes lutas e nos momentos mais difíceis e agudos. Lineu Mafezzoli, tentando resumir, mais do que testemunha ocular, é participante dessa grande história hoje abalada por desatinos administrativo-religiosos. Davi Barros ousou mexer com o sagrado dessa fonte de glória que muitos da própria Igreja Metodista se recusam a entender e a enxergar, como se novos tempos fossem tempos apenas de ruínas e de escombros.

Pois bem. O veterano lutador e batalhador, o mestre e doutor Lineu Mafezzoli não conseguiu, na última assembléia dos professores da Unimep, concluir seu pensamento, tal a emoção e a dor de que estava tomado, ainda lutando para salvar o que sobra das arbitrariedades de Davi Barros que, insistimos, são administrativo-religiosas. Davi quis falar por essa parte descompromissada da Igreja Metodista – descompromissada com a Universidade, acentue-se – e acabou fazendo exatamente o que o diabo gosta: colocar lenha na fogueira, abrir as vísceras nem sempre bonitas de instituições fechadas.

Lineu Mafezzoli não conseguiu falar, mas suas lágrimas são o luto de um leão ferido, de um valente que se recusa a deixar morrer todo um patrimônio histórico e cultural que novos pastores não entendem, ouvindo o líder Davi. Antes de silenciar-se no afogamento das lágrimas, Lineu deixou o aviso que, na verdade, é um compromisso, um grito de alerta e, mais do que isso, um chamamento às ordens de uma multidão unimepiana indignada: “Ou a Unimep, ou Davi!” Pois já se tornou claro, absolutamente claro: Davi Barros não tem um mínimo de credibilidade junto aos professores e provoca a ira do corpo discente. Se os sábios, que ainda existem, na Igreja Metodista não agirem de imediato, se o próprio Davi Barros não tiver “uma revelação espiritual” que o leve a retirar-se, esse caldeirão de desentendimentos, de conflitos, levado ao fogo da intransigência pela pretensão arrogante de Davi Barros – esse caldeirão poderá explodir.

É questão de tempo. As lágrimas de Lineu Mafezzoli escorreram ainda mais quentes, aquecidas por corações cada vez mais indignados. Quando homens como Mafezzoli choram de amargura, não há tirania que permaneça. Isso faz refletir sobre o pensamento poético tornado clássico a partir de Hemingway, no livro “O sol também se levanta”. Em epígrafe está a dor do poeta : “Por quem os sinos dobram?” O poeta pedia que não se fizesse a pergunta, respondendo: “pois os sinos choram por você.”

Que ninguém, pois, pergunte por quem Lineu Mafezzoli chora. Ele chora por todos nós. E conosco.

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