Resposta: “Programados para matar”.

Ainda no último texto de Opinião, fazíamos uma das perguntas que perpassa Piracicaba e pessoas preocupadas com o futuro da Unimep, após a saída de Almir de Souza Maia, cujo mandato venceu, sendo substituído por Davi Ferreira Barros, como reitor e diretor geral. A resposta chegou mais cedo do que se esperava, ainda que apresentasse sinais claros desde que Davi Barros assumiu a reitoria. Agora, também na direção geral, o chefe mostra ao que veio. Como naquele filme, “Programado para matar”, o piracicabano Davi Barros veio apenas para cumprir ordens do Conselho Diretor – que vê uma universidade competitiva no mercado, mesmo que isso implique a diminuição de qualidade – que se revelam radicais: matar o espírito e a gênese da universidade de Piracicaba, que tantas lutas e sacrifícios custaram.

De Davi Ferreira Barros já se pode, pois, falar que realmente ele está “programado para matar”: matar a delicadeza, matar a civilidade, matar o espírito de concórdia, matar o respeito para com professores e funcionários. Pois jamais se viu tal truculência – mesmo em crises anteriores, aos tempos de Richard Senn e Elias Boaventura. Ora, que a Universidade está em crise, isso todos sabiam, já há algum tempo. Mas superar dificuladades a qualquer preço e a qualquer custo pode ser adequado às leis do mercado ou à política maquiavélica de que os fins justificam os meios. No entanto, a Unimep, desde a sua semente, insistiu em manter um espírito de cultura cristã, na linha do metodismo, que pressupôs a valorização do ser humano e não o brutal tratamento que se pode dar a objetos e a máquinas.

Insistimos: a Universidade Metodista é de Piracicaba. Por isso, interessa a Piracicaba. Foram empresários, a indústria e o comércio, a intelectualidade piracicabana que criaram condições para que o sonho metodista se amalgamasse ao sonho piracicabano. Piracicaba jamais participaria de um empreendimento comercial na área universitária. O atual Conselho Diretor da instituição, agora tendo Davi Ferreira Barros como gerente de suas ordens, não conhece essa história. E, se a conhece, desprezou-a. E, lamentavelmente, Davi Ferreira Barros – que foi menino de nossas ruas, sofrido vendedor de pamonhas e que fez carreira dentro da Unimep e a partir dela – se dispõe a esse papel.

Se demissões são a última saída, que sejam feitas. Mas não se concebe e nem se admite que, numa universidade confessional – cujo primeiro princípio é o respeito ao ser humano – tantas pessoas e com tantos serviços prestados sejam demitidas através de um simples e banal e-mail. A resposta quanto aos rumos da Unimep – pelo menos com esse Conselho Diretor e com Davi Ferreira Barros – já chegou: estão programados para matar uma história, um passado e, acima de tudo, as relações de respeito para com as pessoas. Há, no ar, cheiro de sadismos, de vingança e de derrocada. E o gosto de um Natal cruel, inacreditável por estar à sombra de árvores cristãs.

A programação foi feita: atirar a pedra em véspera de um feriado, num fim de semana. Que ninguém se assuste se Davi Ferreira Barros, sendo o primeiro a atirar a pedra, venha a ser o último a apagar a luz. Até lá, muita água haverá de correr sob a ponte. E não são boas. Afinal de contas, o lema do IEP, “ir e ensinar”, começa a naufragar. A luta será entre a construção da história e o imediatismo descartável.

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