Rua do Porto e ação policial.

Quando os atuais dirigentes municipais decretaram, após pressão da comunidade, o que chamaram de “tolerância zero” na avenida Carlos Botelho, sugerimos fosse, a medida, mais ampla, universalizada: “tolerância zero” – diante da criminalidade – na cidade toda. E batíamos na tecla em que viemos batendo há diversos anos: policiar, policiamento é ato de polícia, forma também de polimento, com prefixos e raízes comuns: “polis”. Portanto, ato político. Não se fala em política se não se tiver consciência da “polis”. Como não se fala de civilidade, se não se tiver consciência de “civitas”, a cidade.

A Rua do Porto foi um escândalo de descaso e de má política. Quando o governo José Machado reurbanizou o local – com apoio direto da Petrobras e apoio amplo da população – dizíamos que tudo seria inútil se o governo seguinte, o de Barjas Negri, não desse continuidade ao trabalho, preservando o que fora feito e prosseguindo nas obras. Prossegue-se agora, mas houve descuido como que proposital, houve abandono, permitiu-se que a área fosse contaminada por bandidos que se aproveitaram das novas e amplas oportunidades criadas. .

Agora, fala-se em “tolerância zero”, muito tempo depois de a porta ter sido arrombada, após diversas mortes, após aumentar-se o receio da população e o seu desencanto. Dir-se-á que “antes tarde do que nunca”. Correto. Mas essa “tolerância zero” – que é a intolerância contra a criminalidade, intolerância contra a bandidagem, contra o tráfico de drogas – há que se estender à cidade toda, no enfrentamento às questões aparentemente pequenas, mas que determinam o desrespeito a tudo: a ambulantes irregulares nas ruas, à poluição sonora e à poluição visual, essa em que a Prefeitura está se revelando a principal poluidora. E uma ação verdadeiramente positiva, de educação ou de reeducação. Um exemplo simples: quando um garotão incivilizado passeia com seu automóvel e joga a lata de cerveja pela janela, uma fiscalização séria – que não se atenha apenas a aplicar multas a quem ultrapassa um mínimo na escandalosa questão da indústria das multas – haveria de puni-lo por diversos delitos, desde o ingerir álcool ao volante à infração ambiental.

“Tolerância zero” é fiscalizar e acompanhar o que ocorre, também, em barracões alugados para festas suspeitas em fins de semana, chácaras, bares adaptados nem sempre regularmente às baladas. A Rua do Porto é um referencial de Piracicaba, nossa pia batismal. As primeiras ações detectaram irregularidades alarmantes, com detenções diversas. Não há lugar mais simples de ser fiscalizado, com uma única entrada e uma única saída. Começar por lá é bom. Ficar apenas lá é péssimo.

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