Sanguessugas em Piracicaba?

Sanguessuga em Piracicaba?

Quando na assessoria do então ministro José Serra, o atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri – que veio a suceder Serra no ministério – viu-se envolvido em irregularidades denunciadas pela imprensa e no Congresso Nacional. Agora, quando vem à tona o escândalo dos “sanguessugas”, voltam à tona fatos que estão por ser esclarecidos. A Sucursal de Brasília, da Folha de São Paulo, divulgou a notícia que já corre o país, citando nominalmente José Serra e Barjas Negri. É o que segue:

“Senador do PSDB negociou emenda para ambulância

Antero Paes de Barros tratou liberação com a pasta da Saúde na gestão de Serra

 Duas cidades beneficiadas por emendas do senador foram contempladas com ambulâncias vendidas por empresas do grupo Planam

LEONARDO SOUZA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) tratou diretamente com o Ministério da Saúde, na gestão do também tucano José Serra, a liberação de emenda para a compra de ambulância em licitação depois vencida pelo grupo Planam, da quadrilha dos sanguessugas.

Pelo menos dois municípios indicados por Antero em emendas da bancada de Mato Grosso no Congresso foram contemplados com ambulâncias vendidas por empresas do grupo Planam. Os documentos complicam a defesa do senador na CPI dos Sanguessugas, incluído na lista dos investigados após o empresário Luiz Antonio Vedoin, da Planam, acusá-lo de participar do esquema.

Em 2000, a bancada de Mato Grosso incluiu no Orçamento da União emenda coletiva dos parlamentares do Estado, no valor de R$ 3 milhões, para a compra de ambulâncias. Na ocasião, o coordenador da bancada do Estado era o deputado Pedro Henry (PP), apontado por Vedoin como um dos colaboradores da quadrilha.

Naquele ano, Henry enviou para o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, braço direito de Serra, ofício com a indicação feita por cada um dos parlamentares da bancada sobre os municípios que deveriam ser atendidos pela emenda. Antero escolheu três municípios, com R$ 80 mil para cada um. A cidade de Dom Aquino foi uma das agraciadas. A licitação foi vencida pela Santa Maria (empresa de fachada da quadrilha), com a venda do veículo tendo sido fechada em 19 de abril de 2001, ao preço de R$ 79.950.

Um mês antes, Antero e outros dez parlamentares de Mato Grosso haviam escolhido Lino Rossi (PP) como novo encarregado de indicar os municípios a serem contemplados por uma segunda emenda da bancada, inicialmente de R$ 5,6 milhões (o valor sofreu cortes depois). A decisão foi comunicada ao então ministro José Serra em ofício enviado em 9 daquele mês. Além de Antero, cinco signatários da carta foram denunciados ou investigados pela CPI: Celcita Pinheiro (PFL), Pedro Henry, Ricarte Freitas (PTB), Wellington Fagundes (PL) e Teté Bezerra (PMDB), além de Lino Rossi.

Em entrevista à “Veja” no mês passado, Vedoin disse: “O acordo era para a totalidade das emendas da bancada, que somavam R$ 3,8 milhões. Antero apresentou R$ 400 mil, e tínhamos de dar R$ 40 mil de comissão. Ele pediu para passarmos o dinheiro diretamente para o [deputado] Lino Rossi [PP-MT], que, naquele tempo, era do mesmo partido que ele [PSDB]. Todos ali tinham consciência do que estava fazendo”.

No dia 25 de maio, Rossi encaminhou para Barjas Negri um ofício com as indicações dos municípios escolhidos pelos parlamentares, também com a destinação de R$ 80 mil para cada cidade. Antero selecionou quatro. Entre as quais, Nossa Senhora do Livramento.

Dois meses depois, em 25 de julho, Antero enviou ofício ao secretário-executivo da Saúde reforçando o pedido de liberação do dinheiro a Nossa Senhora do Livramento: “Esclareço, ainda, que o município faz parte da minha relação de beneficiários dessa emenda, sendo R$ 80.000,00 a quantia indicada”.

Assim como no caso de Dom Aquino, a Santa Maria venceu a concorrência em Nossa Senhora do Livramento, com a venda concretizada em 15/8/2002.

À CPI, Antero negou envolvimento com a quadrilha. Afirmou que, em novembro de 2001, mandou suspender todas as indicações para a compra de ambulâncias, apesar de não ter documento oficial que prove sua versão. Disse que o dinheiro liberado para Nossa Senhora do Livramento não seria de sua responsabilidade. A justificativa não cabe, no entanto, para o caso de Dom Aquino, pois a venda da ambulância para o município, em abril de 2001, ocorreu antes da alegada decisão de suspender as verbas.”

Que o informe valha como complemento de opinião antiga: “devagar com o andor que o santo é de barro.”

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